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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

INTERCESSÃO DOS SANTOS

Dowgllazz Silva pergunta:

Porque os católicos rezam para santos alem de rezar para Deus ? muitos deles nem estão na bíblia, só foram criados pela mente humana...

Caro Dowgllaz:

Em nenhum lugar a Sagrada Escritura condena a veneração (coisa diferente de adoração, algo reservado somente a Deus) aos homens e mulheres de Deus, aliás, a Bíblia até incentiva a honra aos santos (santo não significa que seja santo como Deus, mas que é uma pessoa temente a Deus, que se salvou - no Novo Testamento vemos essa palavra muitas vezes empregada aos que se converteram).

Veja em segundo Reis 13, 20-21, o caso de Eliseu em que Deus cura através de suas relíquias (o que sempre acontece na Igreja de Jesus Cristo).


Em Eclesiástico 48,12, vemos a veneração do nome de Elias pelos judeus, um santo profeta de Deus:

"Quando Elias foi envolvido pelo turbilhão, Eliseu ficou repleto do espírito dele. Durante a vida, Eliseu não tremeu diante dos poderosos, e ninguém conseguiu dominá-lo. Nada era difícil demais para ele e, mesmo morto, ainda profetizou. Durante a vida realizou prodígios e, depois de morto, suas obras foram maravilhosas”.

No segundo livro dos Reis capítulo 2 vemos Eliseu utilizando uma relíquia de Elias:

"Então Elias pegou o manto, o enrolou e
bateu com ele na água. A água se dividiu em duas partes, de tal modo que os dois passaram o rio sem molhar os pés. [...] Pegou o manto de Elias, que havia caído, e voltou para a margem do Jordão. Segurando o manto de Elias, bateu com ele na água, dizendo: “Onde está Javé, o Deus de Elias?”Bateu na água, que se dividiu em duas partes. E ele atravessou o rio.”


Usava-se as relíquias de Paulo para realizar milagres:

"Deus fazia milagres extraordinários por INTERMÉDIO de Paulo, a tal ponto que bastava aplicar aos doentes os lenços e as roupas que tinham estado em contato com o seu corpo, para que as doenças e os espíritos malignos os deixassem.” (Atos 19,1).

Por intermédio de são Paulo, por sua intercessão Deus realizava vários e vários milagres.
Em Atos 5,12-13 vemos o povo venerando e honrando os Apóstolos:

“Muitos sinais e prodígios eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Todos os fiéis se congregavam, bem unidos, no Pórtico de Salomão. Nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, mas o povo estimava-os muito.”

Vemos o povo de Israel honrando e venerando o patriarca Abraão
(São João 8 e Gálatas 3, 7).
Paulo considera Estevão mártir santo (cf. At 22, 20).

Deus mesmo honra seus santos, os ama e lhes aceita os pedidos, mesmo em vida, imagine depois de estarem com o Senhor!
Veja os mortos santos (= salvos) intercendendo diante de Deus:

“E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?”
(Apocalipse 6).

E a Sagrada Escritura é clara a respeito da intercessão dos salvos (isto é, dos santos):

“E veio um outro anjo que se colocou perto do altar, com um turíbulo de ouro. Ele recebeu uma grande quantidade de incenso, para oferecê-lo com as orações de todos os santos, no altar de ouro que está diante do trono. E da mão do anjo subia até Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos.” (Apocalipse 8, 3-4)

A Igreja, desde os primórdios, e vê-se isso nos escritos do século I e II, que acreditava na intercessão dos mortos que foram salvos. Pelos méritos de Cristo, essas pessoas que foram salvas e já estão junto com o Senhor após sua morte, podem interceder pelos que ainda estão vivos.
A Igreja crê na Comunhão dos santos, isto é, a Igreja não é mutilada quando os seus fiéis morrem, mas a Comunhão da oração e dos seus dons se mantém.
A Igreja na eternidade e a Igreja na Terra é a mesma e única Igreja de Cristo, essa Comunhão não se acaba após a morte, muito pelo contrário, se intensifica. Os mortos estão vivos em Cristo e mantém contato através das orações e das bênçãos que recebem através de suas orações.

“E ele (Deus) nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Cristo Jesus!” (Efésios 2, 6)

Por estarem os salvos (= santos) nos Céus, como se viu no Apocalipse 6 e 8, estão mais intimamente ligados ao Senhor, e pelos méritos de Cristo Jesus, conseguem de Deus graças para os que estão aqui neste mundo em busca de Deus.
E podemos pedir a eles graças, curas e milagres. Por que não? Não existe uma só proibição bíblica ou na Tradição da Igreja que nos motive a não pedir a um salvo no Céu, pela sua oração, alguma graça específica. Se em vida podemos pedir a intercessão dos que estão no caminho de Deus, por que não podemos pedir a eles depois que já estão nos Céus, assentados com Cristo à direita de Deus?
E como eles saberiam de nossas orações se não são oniscientes? Na onisciência de Deus, pela revelação de Deus a eles, os santos assistem os caminhos dos homens e da Igreja na Terra, veja em Apocalipse 6 que os santos mortos intercedem para que Deus faça justiça por aqueles que no mundo são perseguidos e até mortos pelo Reino de Deus.
Nós vemos também isto na parábola do Lázaro e do rico em que o rico assiste, mesmo depois de morto, e ainda estando no inferno, os seus parentes que ainda não se converteram dos seus caminhos errados e até intercede por eles, mas sem sucesso porque ele não está salvo (São Lucas 16). Imagine os santos que estão em completa comunhão com Deus!
Vemos isto até pela Palavra de Nosso Deus Jesus Cristo. No evangelho de S. Mateus (22, 30), Jesus Cristo ensina que os "santos são como os anjos de Deus no céu". Zacarias diz: "que o anjo intercedeu por Jerusalém ao Senhor dos exércitos" (1, 12 -13).

No Livro de Jeremias vemos:

"E o Senhor disse-me: ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, a minha alma não se inclinaria para este povo; tira-os da minha face e retirem-se."
(Jeremias 15, 1 ss).

No tempo de Jeremias, estavam mortos Moisés e Samuel, mas sua possível intercessão é confirmada pelas palavras do próprio Deus: "ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim...", quer dizer que eles poderiam se colocar diante de Deus para pedir clemência para com aquele povo. Em outras palavras, Deus deixa clara a possibilidade da intercessão após a morte.

Algumas vezes nem recebemos algumas graças porque não as pedimos pela intercessão de nossos irmãos, mostrando assim nossa humildade em recorrer a outra pessoa mais próxima da Majestade Divina de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Vemos no Livro de Jó:

"Tomai sete touros... e ide a meu servo Job... o meu servo Job... orará por vós e admitirei propício a sua face" (Jo 42, 8).

Deus somente “reconciliou” Consigo os amigos de Jó após a intercessão de seu servo Jó. Não adiantava eles orarem por eles mesmos.
No capítulo 12 de Números vemos que Miriam e Arão, irmãos de Moisés, foram punidos por Deus porque falaram mal de Moisés. Mas, por suas próprias orações não puderam ser curadoss de suas punições, e só foram curados mediante a intercessão de Moisés.
No capítulo 15 do Evangelho de São Mateus vemos que o Senhor Jesus não ouve as orações da Cananeia, porém, quando os Apóstolos intercedem por ela, Ele se digna ouvi-la. Eis aí o poder de intercessão da Igreja e dos santos (=salvos).

Jesus é o Sumo Sacerdote diante do Pai (isto é, o Grande Intercessor, o Grande Mediador), mas em Cristo também somos sacerdotes (sacerdote é aquele que intercede, oferece sacrifícios e media), veja:

‘‘Aquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue, e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e Seu Pai.” (Apocalipse 1,9)

‘‘Cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhes os selos, porque foste imolado , e resgataste para Deus, ao preço de Seu Sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; e deles fizeste para nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a terra’‘
(Apocalipse 5,9-10)

“Vos tornais os materiais desse edifício espiritual, um sacerdócio santo para oferecer vítimas espirituais a Deus, por Jesus Cristo.”
 (1 Pedro 2,4-5)

Então interceder a Deus não é errado, e pode-se pedir oração aos santos que habitam os céus para que orem por nós ao Senhor, por meio dos méritos infinitos de nosso Senhor Jesus Cristo, para nossas necessidades espirituais e humanas. Eles as ouvem pelo poder de Deus e podem interceder por nós diante do Trono do Altíssimo, porque eles O estão contemplando face a face.

Espero ter sido claro a respeito dessa Verdade bíblica.

A Jesus a glória e a nós a Misericórdia!

tt

terça-feira, 11 de outubro de 2011

IDOLATRIA


Junior Souza questiona:

Mas e em relação aos dez mandamentos? Sobre o que fala lá das imagens? Pode me esclarecer, por favor, sou novo de fé e preciso de ajuda.

Assim diz o Decálogo:

‘Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirou do Egito, da casada da escravidão. Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti ídolos, nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, nem do que há embaixo, na terra, nem do que existe nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles, nem lhes prestarás culto, pois eu sou o SENHOR teu Deus, um Deus ciumento. (Deuteronômio 5, 6-9 e também em Êxodo 20)

Se esta passagem se refere a todas as imagens, então você e eu não podemos ter imagem nem como fotografias, nem quadros de paisagens. Não se pode ser fideísta, ou seja, usar um texto ao pé da letra sem confrontá-lo com o restante da Sagrada Escritura, sem aprofundar-se totalmente no contexto em que foi escrito, na razão de ter sido escrito. Portanto, vamos tratar esse assunto de idolatria à luz de todas as passagens da Sagrada Escritura, como um todo que Ela é.
Primeiramente vamos analisar o mandamento.
O texto diz: “Não terás outros deuses além de mim.” Deus é Um só, não existem outros deuses, e seu mandamento primeiro é que O amemos acima de qualquer outra pessoa ou coisa, portanto, ter outras pessoas como deuses além Dele é certamente pecado de idolatria. Preste atenção no texto bíblico que diz: outros deuses além de mim.
O texto segue: Não farás para ti ídolos. O verbo aí se refere a fabricar com as mãos, “não fabricarás ídolos”. O texto bíblico se refere a ídolos todo objeto, coisa ou pessoa que é adorado como um deus, portanto, o ídolo substitui a palavra deus, no contexto. Podemos então subentender que o texto diz que não é para fabricarmos deuses.
E o texto complementa: nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, nem do que há embaixo, na terra, nem do que existe nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles, nem lhes prestarás culto. Entenda-se: é dito para não construir imagem ou figura para serem adorados como ídolos, como deuses. Deus não os estava simplesmente proibindo de terem imagens, como veremos logo a seguir.
Por que Deus disse isto ao povo hebreu?
Porque esse povo era indigente na terra egípcia, uma terra onde havia vários deuses, vários ídolos, os egípcios cultuavam imagens de sapos até os astros celestes. E Deus levava o povo hebreu através do deserto até a Terra Prometida, cujo espaço já estava ocupado por povos pagãos que cultuavam outros deuses, ídolos de todas as formas. E mais: depois de chegarem à Terra Prometida, os povos diversos que os circundariam estavam cheios de superstições desse tipo, adorando deuses de barro, em formas de animais, e até os astros celestes. O povo hebreu correria risco de idolatria facilmente, tanto é que no deserto, sem nenhum povo que os pudesse contaminar, eles construíram um bezerro de barro e o proclamaram um deus, mesmo depois de terem visto o poder de Deus os tirar do Egito. Eram, ainda, um povo fraco na Doutrina da Fé.
Continuando na análise, vemos que Deus somente proibiu o uso de imagens como objetos de adoração, tanto é que vemos nos anos depois da Revelação dos Dez Mandamentos Deus permitindo o uso de imagens. Estaria Deus se contrariando? Claro que não. Com isso Ele estava esclarecendo o motivo de não poder ter imagens, um único motivo: se for as usar como deuses.
Fica claro esse motivo quando Ele mostra como se deve enfeitar a Arca da Aliança:
“Farás dois querubins de ouro polido nas duas extremidades do propiciatório: um de cada lado, de modo que os querubins estejam nos dois extremos do propiciatório. Os querubins, com as asas estendidas por cima, estarão encobrindo o propiciatório, um em frente do outro, voltados para o propiciatório. Porás o propiciatório sobre a arca, e dentro da arca o documento da aliança que te darei. Ali me encontrarei contigo, e de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins colocados sobre a arca da aliança, eu te comunicarei tudo o que deves ordenar aos israelitas.” (Êxodo 25,10-22; 37, 7-9)

Deus mesmo pede que se coloque dois Anjos querubins sobre a tampa da Arca, e diz mais: que Ele estará sobre essa Arca e que do meio dos dois Anjos Ele falará à Moisés.
Nem mesmo prostrar-se (ajoelhar-se com o rosto no chão) diante da Arca era considerado por Deus como idolatria, veja:
 “Josué e os anciãos rasgaram a roupa que traziam e prostraram-se perante a arca do Senhor até a noite, pondo terra nas cabeças." (Josué 7, 4-6)

Josué se prostrou na frente dessas imagens e não foi considerado como pecado de idolatria. Por quê? Porque
não é errado prostrar-se diante de uma imagem de um anjo de Deus, de um santo, de Jesus Cristo, para adorar e honrar a Deus. É pecado antes prostrar-se diante de uma imagem para adorar a imagem. E como sabemos que a pessoa está adorando a imagem ou Deus através do sinal da Presença onipresente de Deus que a imagem representa? Só Deus que vê o coração pode saber, ninguém mais pode julgar, porque ninguém vê o coração senão Deus.
No capítulo 3 de Êxodo, Moisés se prostra na frente de uma planta pegando fogo. Foi isso que Moisés viu: uma sarça que não se consumia pelo fogo. Ele não viu o Rosto de Deus, mas viu somente o fogo glorioso, e o que Ele fez? Adorou Deus ali vendo essa imagem que representava Deus. Ele pecou por isto? Claro que não. Deus é onipresente e está também dentro e fora das imagens a Ele consagradas, e mais: está dentro da alma do fiel que ali se prostra diante da imagem, sabendo ele próprio que a imagem não é um deus, ou Deus, mas a representação de Deus, como o fogo que Moisés viu no deserto, a Arca da Aliança ou o Templo diante do qual o povo israelita se prostrava para adorar a Deus. Prostrar-se nem sempre quer dizer adorar, porque a verdadeira adoração é uma adoração em espírito e verdade. Sabendo disto, não se deve julgar simplesmente ao ver o exterior do indivíduo, mas deixar que Deus faça o julgamento que só Ele que vê o interior pode fazer.
No Templo construído por Salomão foram colocadas imagens de escultura, como diz a Escritura:

- Dois Anjos querubins de madeira de árvore oleaginosa, recobertos de ouro, estavam postados no Santíssimo daquele templo (1 Reis 6, 23- 29);
- O mar de fundição repousava sobre 12 touros de cobre, e os lados dos carrocins de cobre para uso no templo eram decorados com figuras de leões, touros e querubins (1 Reis 7, 25-29);
- Doze leões perfilavam-se nas escadas que conduziam ao trono de Salomão (2 Crônicas 9,17-19).

Diante dessas imagens para o culto divino, não era considerado idolatria.

E o que é idolatria então?
É usar um objeto, uma pessoa, uma imagem e colocá-la no lugar de Deus. Isso é idolatria. Portanto, colocar a família, os amigos, o trabalho, o dinheiro no lugar de Deus é um pecado de idolatria. Fazer a própria vontade é idolatria. Avareza é idolatria.

 “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza”
(São Mateus 6, 24).

“Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! - terão herança no reino de Cristo e de Deus”.
 (Efésios 5, 5)

Amar a própria família mais que a Deus é idolatria.
“Aquele que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; aquele que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim”.
                                                             (São Mateus 10, 37)

Portanto, usar objetos para culto santo como Deus mesmo permitiu ao povo judeu quando foi construir a Arca e o Templo não é pecado.
O pecado de idolatria é colocar qualquer coisa no lugar de Deus.
Caro Junior Souza, espero ter esclarecido sua dúvida.
Deus abençoe você em sua busca pela Verdade.

tt