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terça-feira, 5 de junho de 2012

O QUE ACONTECE DEPOIS DA MORTE SEGUNDO A BíBLIA: O INFERNO.

Vídeo do texto:



O voo estava programado para sair às 14h15. Estava um dia maravilhoso para voar: céu azul, sem nuvens, sem ventanias. Era o dia ideal para um voo tranquilo. Sempre tive medo de voar, mas naquele dia estava com muito mais calma no coração do que imaginava que estaria. Parecia que nunca tive medo de voar...
Às quinze para as catorze horas já estava embarcado e em minha devida poltrona lendo um livro que tinha comprado dois dias antes como um presente para mim mesmo de meu 30º aniversário. Era um livro bom, mas muito fantasioso para o meu gosto. A Cabana não era o que exatamente esperava de um livro tão famoso, mas como num voo de cinco horas não havia nada para fazer, resolvi levá-lo para ler.
Ao meu lado havia uma senhora estressada com o atraso do voo e com o marido dela que não parava de comer um salgado barulhento e aquilo também estava alimentando meu estresse e quase pedi para que calasse a boca.
Vinte minutos após levantarmos voo, ela já tinha se calado e o marido já tinha parado de comer os salgadinhos. E eu ainda afundado no livro.
Ao olhar para fora da aeronave, à direita a um quilometro mais ou menos de distância, vi algo bizarro que não pude entender completamente: era o que poderia ser chamado de uma nuvem escura, como que se no meio dela houvesse uma chama, como acontece numa explosão quando fumaça e fogo se misturam. Vi, mas não acreditei. Esfreguei os olhos e me virei para a senhora ao meu lado, mas ela estava dormindo, ou fingindo que estava dormindo. Voltei meu olhar para fora do avião de novo, mas a nuvem já havia se dissipado e o céu azul me fez entender que eu tinha tido algum tipo de ilusão.
Uns quinze minutos depois, eu ainda pensava sobre aquela nuvem quando ao olhar de novo para o horizonte, a nuvem estava muito maior e mais amedrontadora. A sensação que tive foi que ela estava em movimento e engoliria a nave. Esfreguei os olhos e olhei de novo: ela ainda estava lá. Chamei a comissária de bordo e ela veio. Quando ela chegou, olhei de novo para fora, e tudo estava azul como antes. Ela ficou me olhando, esperando eu falar, mas eu pedi desculpas e lhe informei que não necessitava mais de sua ajuda.
Comecei a ficar preocupado com a ocorrência. Será que eu estava tendo alguma reação alucinógena? Será que eu teria comido alguma coisa que estava me proporcionando tal estado de espírito? Decidi voltar à leitura, mas não conseguia me concentrar. Aquela imagem tinha me parecido real demais para ser uma miragem, e quanto mais eu pensava, mais assustado eu ficava. Resolvi me levantar e ir ao lavabo.
Olhei-me no espelho e vi um rosto assustado. O que estaria acontecendo lá fora? Estaria ficando louco por causa da pressão atmosférica? Voltei e sentei-me de novo na poltrona e ao olhar para fora tudo estava como deveria estar.
Resolvi, portanto, deixar de lado aquilo e fingir que nada ocorreu. Deixei o livro de lado e recostei-me na poltrona para tentar tirar um cochilo e até que consegui entrar num sono quando fui acordado com um estrondo e um solavanco na aeronave, como se tivesse sofrido um baque. As pessoas começaram a gritar e a olhar para fora, assustadas.
Do lado de fora notei que um jato de fumaça acompanhava o avião, e observando melhor, vi que a fumaça saiu de uma das turbinas que estava pegando fogo. Um assalto de terror tomou conta de mim, misturado com uma claustrofobia. As pessoas todas estavam agitadas, gritando pelos comissários de bordo que corriam para lá e para cá. O aviso para apertar os cintos foi acionado e logo em seguida ouvimos a voz do capitão dizendo que era para todos manterem a calma, ficarem sentados e apertarem seus cintos. O capitão tentou deixar claro que a aeronave voaria quase sem problemas somente com uma turbina, mas que teria que fazer um pouso forçado em algum aeroporto porque a turbina estava em chamas, e isto não era bom.
Logo após o aviso percebi que o avião começou a descer gradativamente, até que a terra foi vista com toda a clareza. O ânimo dos passageiros foi controlado, mas era possível ver no rosto de todos a apreensão, e alguns gritos de vez em quando, dado que o avião balançava loucamente. Eu não tirava o olho da turbina que já não pegava mais fogo, porém uma fumaça escura saia ainda dela. Eu olhava por toda parte para ver se havia algum sinal de cidade, mas só havia mata e campo, sem sinal algum de uma pequena vila sequer.
Um medo grotesco apoderou-se de mim e eu mal conseguia respirar. A senhora ao meu lado, grudada ao seu marido, estava gemendo com seus olhos saltados, como se fosse explodir a qualquer momento. Rapidamente me arrependi de estar naquele momento nessa aeronave. Eu sentia que estava sendo engolido pelo medo e pela claustrofobia. Comecei a pensar na minha família... na minha vida. Fiquei com medo de morrer.
E o avião continuava a balançar de um lado para o outro, como se fosse sacudido pelo vento. E isto deixava os mais fracos, como eu, em estado de um estresse que poderia levar-nos a um ataque cardíaco. Qualquer um que se aventurasse a caminhar pelo avião seria certamente arremessado para o alto. Por isso todos estavam grudados em seus assentos, inclusive a tripulação.
No meio desse desespero, o capitão avisou que estávamos há vinte minutos de um aeroporto que estava sendo preparado para nossa chegada. Um suspiro de alívio e um aplauso ressoou em toda parte. Até eu me senti aliviado e mais seguro. Mas, mesmo assim, não tirava meus olhos da turbina fumegante.
Minutos depois, quando o piloto já tinha avisado que tínhamos recebido permissão para o pouso, um grande solavanco fez todos gritarem assustados. O que vi não entendi, mas alguma coisa que não saberia dizer o que é se soltou da turbina e bateu bem do lado do avião, na minha janela, fazendo um barulho surdo de metal retorcido. Após isso, o avião começou a balançar loucamente, fazendo bolsas e mochilas voarem até o teto, e em seguida, máscaras caindo sobre nossas cabeças. Eu coloquei mais que depressa a máscara e olhei de novo para fora, e percebi que ainda não havia qualquer cidade e que a fumaça aumentara consideravelmente tapando parte da visão da turbina e de uma parte do avião.
Senti uma vontade de sair correndo dali, abrir a porta e pular para fora do avião. E antes que esse desejo se tornasse palpável, um estalo ensurdecedor fez meu ouvido tampar e toda a aeronave tremer. Desesperadoramente, o bico do avião se inclinou para baixo e começou a descer vertiginosamente, tomando uma velocidade assustadora. Todos começaram a gritar e a pedir ajuda. Eu fiquei olhando para fora, vendo que estávamos numa descida sem volta. Olhei para uma aeromoça e ela estava em pânico, o que significa exatamente que algo de fato está fora de controle.
Comecei a chorar e a gritar, no meio daquele vozerio, quando notei nitidamente as copas das árvores logo abaixo, o que indicava que o chão estava muito, muito próximo. Como num passe de mágica, o bico do avião se elevou e por um segundo tive a esperança que iríamos tomar altura, mas não foi o que aconteceu. Após isso, entendi perfeitamente que o capitão, numa tentativa heróica, faria um pouso ali mesmo, como última chance de salvação.
Tudo ocorreu em segundos. Eu vi do meu lado o que seria uma grande copa de uma árvore e logo depois o avião foi jogado para a direita forçosamente e depois um grande choque fez partir parte da fuselagem, arremessando pessoas com suas poltronas umas sobre as outras. E do meu lado um grande tronco abriu a fuselagem e entrou sobre a fileira de poltronas em minha frente, atingindo as pessoas e arrastando as poltronas para o lado. Segundos depois, um outro baque levantou minha poltrona e me jogou para o lado, como se fosse um boneco. Senti algo me apertando e pressionando meu corpo. Esse sentimento durou um ou dois segundos, quando de repente um último impacto fez uma luz muito quente passar por meu corpo, acompanhado de um estrondo ensurdecedor. Não senti dor, apenas um rápido queimar; e tudo se apagou como que num imenso sono.

Quando voltei a mim estava olhando do alto uma grande mata. Senti-me estranho, como num sonho, porque não acreditei no que via. Da posição que estava, podia ver muito fogo no meio das árvores, e o que parecia ser a fuselagem de uma grande aeronave. De repente lembrei-me de tudo. Meu Deus!
Olhei do lado e vi uma multidão de pessoas, flutuando na mesma posição que eu, inclusive a senhora estressada do meu lado e o senhor, seu esposo. Um misto de admiração e medo percorreu meu ser. O que poderia ser aquilo?
- Será que estamos mortos? – perguntou a senhora estressado ao seu esposo.
- Não sei – respondeu ele.
Foi ai que percebi como acontecia a comunicação. Não havia som. Não havia voz. Fiquei observando aquilo como talvez Colombo ficou quando viu as Américas pela primeira vez. Olhei as pessoas se comunicando e quis saber em que mundo eu estava. Será que aquela senhora estava certa? Estaríamos todos mortos?
Olhei e vi mais pessoas subindo do meio do fogo e da fumaça e indo se juntar a nós. Olhei para mim mesmo e não entendi o que vi (e de certa forma ainda não entendo). Não tem nada com que possa ser comparado na Terra. Eu era o que poderia ser chamado de alma? Espírito? Eflúvio espiritual? – o que eu poderia dizer disso? Eu não entendia nada daquilo. Nunca fui nem religioso, ia à igreja esporadicamente e nem sabia se realmente acreditava na existência da alma ou da vida após a morte. Nunca quis parar para analisar isso com profundidade. Aquilo era tudo muito novo e surpreendente para mim – e assustador. Eu estava morto. Sim, era evidente. Todos nós estávamos mortos. O piloto não conseguiu evitar a tragédia.
Enquanto estava nesses meus pensamentos, de repente, a multidão ao meu lado foi arrebatada dali numa velocidade que me deixou amedrontado. Fiquei sozinho, sem saber para onde ir e o que fazer. Foi quando vi a mesma nuvem escura vindo muito rápido em minha direção, enchendo todo o céu azul à minha volta daquela escuridão e clarão de fogo. E agora?
Eu vi que a nuvem iria me engolir, porque ela encheu todo o céu à minha volta. O medo apoderou-se de mim e achei que fosse desaparecer engolido por aquelas nuvens espessas.
Do meio daquela negrura comecei a perceber o vozerio de uma multidão nervosa e um sentimento de pavor pior que o anterior tomou conta de mim. O que seria aquilo?
Não me restou alternativa. Estava morto, e vi que seria engolido por aquela nuvem, o que restava era pedir ajuda.
- Socorro! Meu Deus, socorro! – Se Deus existisse, Ele viria me socorrer?
Meu pedido de socorro pareceu tão afiado que foi cortada a espessa nuvem, e pelo corte surgiu um raio de luz e energia que me atingiu. E eu fui puxado do meio daquilo com tal violência que achei que me despedaçaria. Tenho certeza de que se estivesse no corpo, o corpo se dividiria em átomos tal foi a velocidade que fui arrastado dali por aquela energia.
Tudo levou alguns segundos. Quando tudo parou de repente, me encontrei num espaço que não havia nada. Exatamente nada. Ali não esperei encontrar nada até que todo aquele nada converteu-se numa presença que parecia embarcar todo o universo.
Quando vi aquele Homem eu quis morrer. Não houve necessidade de apresentações, de esclarecimentos. Era Ele: o Deus Criador. O Deus Criador do universo era um Homem como eu. Estava diante Dele e eu sabia que era Jesus, e que apesar de ser Homem, era também o Criador de tudo o que possa existir. Imediatamente me apaixonei por Ele. Era impossível não cair de paixão por Jesus. Sua beleza ultrapassava tudo o que eu já tinha visto e se eu usasse uma caneta e folhas, nem todas as folhas do mundo seriam suficientes para expressar em todas as línguas quão belo Ele é.
E Ele é amor. Eu senti, eu vi, eu experimentei. O Homem por excelência é amor! Um amor maior que todo o universo, que perpassa tudo, envolve tudo o que existe, está em toda parte e existe por si só; não aumenta e nem diminui. Quis abraçá-Lo, me entregar a Ele, ser Dele. Vi que Ele é o centro da vida, tudo o que mais preciso para existir, ser feliz e viver. Com Ele não precisaria de mais nada. Nada. Nada. Nada.
Aquele Homem lentamente veio caminhando no vazio até onde me encontrava, e senti que ia morrer de amor, desaparecer como uma gota no oceano. E desejei isto.
Eu O vi, e essa visão era o mais real que pude compreender até aquele momento. Ele era muito mais real do que eu, do que o planeta, do que tudo o que já tinha visto. Entendi imediatamente que não O estava vendo com os olhos: era uma visão totalmente nova para mim, muito mais real, não tinha necessidade de luz e não havia sombras. Percebi que aquele era o mundo espiritual. Como pude estar errado até aquele momento! A vida após a morte existia; Deus existia; Jesus era Deus, não era apenas mais um personagem da história humana.
Eu O vi, e quando Ele se aproximou achei que fosse desaparecer com tal arroubo que tomou conta de mim. Seus olhos eram profundos, expressivos, cativantes, e deles saiam um poder que – entendi, não me pergunte como – era capaz de criar e recriar o universo somente com um de seus olhares. Que entendimento profundo é este!
De repente um esplendor tão estupendo e maravilhoso, uma glória, uma energia, um poder, uma eletricidade (é o mais perto que posso chegar, e ainda estou milhões de anos luz do que realmente vi) fluíram de seu corpo humano e abraçaram todo o universo, e também além universo, indo a lugares que jamais sonhei existirem. Era tudo extremamente real.
- André, EU SOU o VERBO.
Ao ser atingido por essa PALAVRA eu quase desapareci – disso tenho toda certeza do mundo. Foi real. Quase deixei de existir quando aquela PALAVRA me atingiu – essa realmente é a melhor explicação do que vivi. Fui atingido e a “existência” pode deixar de existir somente no contato com a PALAVRA de Deus. Eu vi, eu sei, eu vivi. Sei do que estou falando.
Ele conhece meu nome, sabe quem sou, de onde vim; sabe tudo de mim. Senti-me envergonhado diante Dele. O que eu poderia oferecer a esse Homem? Nada. Não tinha nada a oferecer. Ele olhou para mim, mas quando digo para mim, quero dizer no mais profundo de mim. Senti seu olhar me perscrutando, amorosamente, e eu permiti – na verdade desejei ardentemente. O que eu não faria por Ele? Senti uma ponta de ódio em mim: por que não O encontrei em vida e só agora fui acordar para Ele?
Não tive palavras. Não tinha o que Lhe dizer. Ele já sabia de tudo o que eu fui e fiz. Não havia como me esconder Dele.
Num piscar de olho, vi diante de mim esse Homem na cruz, com os cravos transpassando seus pulsos, seus pés, seu lado direito escorrendo um líquido parecido com sangue. Dos seus olhos escorriam sangue... vi moscas se assentando em sua Face, entrando em sua boca quando Ele a abria para respirar. A coroa de espinhos fincado em sua cabeça fazia jorrar sangue sobre suas faces indo parar em sua boca.
Eu pude ouvir as últimas batidas do Coração de Jesus e O vi morrendo de asfixia enquanto seu Corpo todo se estremecia com as cãibras. Vi a lança penetrando o lado direito de seu Corpo e o sangue esguichou em minha direção. Ao meu lado eu vi Maria, sua Mãe. Ela chorava e sofria, e de seus olhos vi jorrar sangue, como os Dele.
Pensei como tinha sido permitido a uma pessoa sofrer tanto, e sua Cabeça se ergueu e olhou para mim. Fiquei horrorizado com tanta dor e sofrimento. Ele não merecia.
Como num raio, toda minha vida passou diante de mim e eu assisti tudo no que pareceu ser apenas um segundo. Consegui entender tudo, cada acontecimento, e vi todo o mal que fiz a mim mesmo e a todas as pessoas do mundo quando agi mal. Com tudo isso me acompanhou a Presença de Jesus em cada segundo da minha vida... em todos os segundos da minha vida Ele estava por perto, bem do meu lado, literalmente. E O via sempre na pureza de seu Coração, na santidade de sua Pessoa, e naquele momento entendi o quanto Deus é santo. Isso me chocou tremendamente.
- André, meu filho. Todo este Sangue é teu.
Ele me olhou com seus olhos penetrantes e cheios de amor. Todo o Sangue que ainda escorria Nele era de uma cor tão viva como se todo o vermelho do universo pudesse estar numa única gota. Eu quis morrer. Fui eu que O fiz sofrer tanto; foram minhas atitudes egoístas, meus desejos desonestos, mesmo que pequenos... O vi morrer por minha causa da morte mais terrível que vi alguém morrer. Quis morrer no lugar Dele, quis sofrer um bilhão de anos para não vê-Lo sofrer nem um segundo. Só eu merecia esse castigo terrível e o merecia cem bilhões de vezes por dia, por ter sido tão mau durante a vida.
- Tuas culpas e impenitência obrigam a justiça a agir. Eu te ofereci a salvação e a minha misericórdia durante toda a tua vida para aplacar a justiça e as rejeitaste com persistência. Como posso Eu te ajudar quando não queres ajuda?
Ao ouvi-Lo dizer isto, vi em cada instante da minha vida a Graça de Deus usando de todos os meios possíveis para me alcançar, desde pequenos gestos das pessoas até toques puramente espirituais em minha alma, repetidas vezes durante o dia, e em todos esses chamados divinos eu me fiz de surdo e não quis ouvir. Como pude ser tão insensato e egoísta! Por que quis fugir desse Amor tão infinito?
Após isto, fui arrebatado com tal ímpeto que a velocidade da luz foi ultrapassada milhares de vezes, e fui colocado diante da Santíssima Trindade, e pude contemplar o Céu e o lugar onde me havia sido reservado desde toda eternidade. Tudo isso aconteceu em menos de um segundo, mas pude gravar aquela imagem e visão para toda a eternidade. Vi quem Deus é e o que eu seria Nele. Vi o que perdi por não ter vivido antes de morrer a Vida divina que viveria na eternidade.
De repente estava diante de Jesus de novo. Vi toda sua pureza e me comparei a Ele. Minha vida estava toda suja e imunda diante dos meus olhos, e eu não tinha nada a ver com esse Homem e em nada parecia com Ele. Quando olhava para Ele, sua luz era tão inefável que me tornei só sombra diante de sua pureza, porque não encontrei sua luz em mim. Pobre do homem que não tem o Salvador e o seu Espírito em sua alma! Na eternidade não encontrará qualquer luz desse Homem em sua vida... e passará a eternidade assim.
- Jesus, eu não mereço seu perdão. Rejeitei seu Sangue, a salvação. Eu te crucifiquei, te magoei mil vezes todos os dias. Não sou digno de viver Contigo.
Ele olhou-me com uma tristeza tão grande que me era preferível morrer cem mil vezes com as mortes mais terríveis e antes disso sofrer um bilhão de anos com as dores mais horrendas a ver aquela tristeza no rosto de Jesus novamente. Entendi perfeitamente que a impureza não pode conviver com a Pureza em Pessoa, porque Deus é santíssimo.
Nisto, comecei a me afastar de Jesus rapidamente, e fui vagando sem rumo no espaço vazio, e fui encontrando uma grande e espessa escuridão, tal como jamais imaginei existir. Não existia ali luz de qualquer espécie. E o pior de tudo é que quanto mais me afastava de Jesus, mais triste ia me sentindo: uma tristeza quase infinita, bizarra, tal qual jamais havia sentido. Aquele estado de tristeza foi tomando conta de mim com tal intensidade que só o fato de me lembrar do que vi e ouvi já me causa mais tristeza ainda, e quanto mais tento me ver livre desse estado de dor, mais triste me sinto. Percebi que tinha perdido Deus para sempre e que não conseguiria voltar a Ele. Minha alma foi inundada de trevas e não conseguia sequer pensar direito ou raciocinar logicamente. Nenhuma lembrança feliz da Terra ou do encontro com Deus me fazia escapar daquelas trevas, antes me fazia entregar mais a ela. E quanto mais me afastava, mais horrendo ia ficando, não havia mais em mim nada que pudesse lembrar a beleza de Deus. Fui perdendo a minha “imagem e semelhança de Deus”.
Era o nada. Era o vazio. Não existia nada . O vácuo – mais que isso. É inexplicavelmente depressivo. Aprendi que sem Deus não há nada no universo e você não tem como usufruir nem da Criação de Deus. Sem Deus perde-se a ligação com todo o resto, e a conexão consigo mesmo é rompida, e acaba-se perdendo até a identidade pessoal. Você não se reconhece mais, não se olha mais, não se percebe mais, apesar de seu vazio interior ser o centro da sua vida e de sua total atenção. É a isto que chamam de inferno – e antes ele fosse de um fogo físico como dizem na Terra. Seria menos mal, mas esse “fogo” espiritual que sinto aqui é um terror que é quase infinitamente maior que todo o fogo da Terra reunido num só lugar.
Fui encontrando nesse vazio uma multidão de almas no mesmo estado que eu. Que horrível estar neste estado! Antes sofrer no fogo de um vulcão por toda a eternidade do que estar vivo no estado dessa depressão. Isto é uma depressão infinitamente mais profunda do que a depressão que se pode sofrer na Terra. No meio daquelas almas, havia também uma multidão incontável de anjos que abandonaram seus tronos no Céu e que adquiriram (como as almas humanas) uma forma espiritual sem glória alguma.
Assim que comecei a entrar nesse estado de vazio, vácuo espiritual, tudo perdeu o sentido. Perdi minha vida, não há nada em mim de bom agora. Perdi o amor por mim, a paixão que senti por Jesus no momento que O vi. Sinto-me completamente só, mesmo no meio desta multidão atormentada, que comigo geme eternamente de desespero e aflição com gemidos inexplicavelmente aterrorizantes, mesmo não havendo qualquer som audível.
Comecei a sentir um ódio de tudo e de todos. Um ódio de Deus, de mim mesmo e dessa multidão infeliz. Ela ainda me faz mais infeliz com sua presença. Gostaria de desaparecer, mas não sou capaz. Gostaria de pedir ajudar, mas quem poderia me ajudar? – além do que qualquer pessoa que pudesse se aproximar de mim me faria sofrer mais ainda, porque quero me isolar, fugir até de mim mesmo. Quanto sofrimento há aqui que, se juntar todo o sofrimento que houve na Terra desde o primeiro homem até o ultimo sofrimento que haverá, nem assim chegaria a meio por cento do que sofro em um só segundo. Seria tão mais fácil obedecer a Deus!
Agora sou todo ódio e tristeza mortal. Tenho sofrimentos aqui que não podem nem sequer serem explicados e eu mesmo não os entendo. São extremamente profundos, indizíveis. Trocaria sofrer eternamente nas mãos de Deus do que estar neste estado sem ver a Deus. E o pior: nunca sairei daqui, deste estado. Vou ficar aqui e tudo há de piorar quando Jesus voltar à Terra e acontecer o Julgamento Final e meu corpo me for restituído. Tudo só está começando! Mas é justo, mereço estar assim, escolhi chegar aqui, escolhi não servir...
Se me fosse possível destruiria o universo, todas as pessoas, todos os espíritos, aniquilaria Deus para que eu não sofresse tanto assim, só por saber que todos eles existem. Eu quero ficar só, mas já estou completamente sozinho! Quero fazer Deus desaparecer, mas como gostaria de viver com Ele para sempre! Eu O odeio e O desejo infinitamente. Sinto um vazio infinito dentro de mim porque é um lugar em mim que só um Deus infinito preencheria.
A que condenação eu me meti! Num circulo vicioso de dor, tormento interior, ódio, medo, pavor, tormentos espirituais inexplicáveis, saudade de Deus, das pessoas que um dia amei e que agora odeio (pois não posso nem sentir pena se não estou com Deus)! Estou mergulhado num oceano vazio de tristeza e depressão que só se faz aumentar quanto mais penso neles. Sou atormentado psicologicamente cem por cento dos momentos que vivo aqui e não posso fugir desses tormentos, porque não posso fugir de mim mesmo, sendo que esses tormentos são o reflexo do meu vazio interior. Estou vazio, oco, sem vida espiritual, sem qualquer luz ou iluminação de qualquer forma. Sirvo ao meu deus chamado vazio (ao invés de ter servido na Terra ao Deus infinito e vivo), mas o deus vazio não existe e acabo caindo no vazio cem por cento das vezes. E isto não terá fim e só vai piorar após eu receber meu corpo de volta.
E todos virão parar aqui, se agirem como eu, mesmo sendo pessoas boas... se negarem servir o Deus-Humano chamado Jesus, se negarem amar, se negarem acreditar e continuarem sem penitência alguma. Há um espaço infinito aqui... um vazio que cabe todos que escolherem não servir ao Altíssimo e não amarem como Deus ama. E virão me fazer companhia, embora eles só aumentarão meus sofrimentos e eu aumentarei o deles, infinitamente e por toda a eternidade.
Estou aqui neste estado deplorável... se você vier aqui, me procure, quem sabe podemos nos conhecer; sou a criatura mais horrível e a mais triste que vive aqui. Vai ser fácil você me encontrar.
Eu sou você no futuro... se não escolher servir e amar Jesus a partir de agora, porque não existe salvação sem o Nazareno e fora de sua Igreja.
Fim.
TT Anderson



terça-feira, 18 de outubro de 2011

OS TERRÍVEIS TORMENTOS DO INFERNO

Algumas histórias reais de provas da existência e da realidade do Inferno:

Um dia, uma alma santa meditava no inferno, e considerando a eternidade dos suplícios, aquêle terrível nunca e o terrível sempre, ficou bastante impressionada, porque não compreendia como se pudesse conciliar esta severidade sem medida com a bondade e outras perfeições divinas.
– Senhor, dizia ela, eu me submeto aos vossos juízos, mas, permití-me, não sejais demasiado rigoroso.
– Compreendes, foi a resposta, o que seja o pecado? Pecar é dizer a Deus: não Vos obedecerei; pouco se me dá da vossa lei; rio-me das vossas ameaças!
– Vejo, Senhor, como o pecado é um monstruoso ultraja à vossa divina majestade.
– Pois bem, mede, se podes a grandeza dêsse ultraje.
– Compreendo, Senhor, que êsse ultraje é infinito, porque vai contra a majestade infinita.
– Não se exige então um castigo infinito? quanto à intensidade, sendo a criatura limitada, requer a justiça que seja infinito ao menos quanto à duração: portanto, é a mesma justiça divina que exige o terrível sempre e o terrível nunca. Os próprios condenados serão obrigados a prestar homenagens, mau grado seu, a esta justiça e exclamar em meio aos tormentos: “Vós sois justo, Senhor, e retos os vossos juízos.”

Monsenhor Ségur, no seu áureo opúsculo sôbre o inferno narra três fatos, cada qual mais autêntico, acontecidos não faz muito tempo.

O primeiro, diz ele, sucedeu quase em minha família, pouco antes da terrível campanha de 1812, na Rússia. Meu avô materno, o Conde Rostopkine, governador militar de Moscou, era intimamente relacionado com o general Conde Orloff, tão valoroso quanto ímpio.
Um dia, após a ceia, o conde Orloff e um seu amigo, o general V…, volteriano como êle, puseram-se a ridicularizar a religião e sobretudo o inferno:
– Mas…, disse Orloff, e se houvesse alguma coisa além do túmulo?
– Neste caso…, diz o general V…, o primeiro que morrer virá avisar o outro; de acôrdo?
– Pois não, responde Orloff.
E ambos prometeram seriamente não faltar à palavra.
Algumas semanas após, desencadeou-se um daquelas guerras que Napoleão sabia suscitar; o exército russo foi chamado às armas, e o general V… recebeu ordem de partir incontinenti para um pôsto de comando.
Duas ou três semanas depois da partida de Moscou, quando meu avô se levantara, bem cedo, viu abrir-se bruscamente a porto do quarto e entrar o conde Orloff, com roupa de dormir, de chinelos, cabelo em desalinho, olhos esbugalhados, pálido como cera.
– Oh! Orloff vós aqui a esta hora? Neste traje? Que aconteceu?
– Meu caro, responde Orloff, eu perco a cabeça; vi o general V…
– Oh! Ele já voltou?
– Não, continua Orloff, atirando-se a um divã, não, não voltou, e é isto que me espanta.
Meu avô nada compreendia e procurava acalmá-lo.
– Contai-me, então, lhe disse, o que aconteceu e o que significa tudo isto.
Fazendo grande esfôrço para se acalmar, o conde Orloff contou o seguinte:
– Meu caro Rostopckine, não faz muito, o general V… e eu, juramos que o primeiro que morresse, viria avisar o outro se há de fato alguma coisa além do túmulo. Ora, pela madrugada, enquanto estava tranqüilo na cama, acordado, sem pensar no amigo nem no juramento, abre-se de repente o cortinado do meu leito e vejo, a dois passos de mim, o general V… de pé, desfigurado, com a mão direita no peito, e me fala: “Existe um inferno, e eu lá estou…” e desapareceu. Na mesma hora corri até cá; eu perco a cabeça! Que coisa estranha! não sei o que pensar!
Meu avô tranqüilizou-o como pôde: falou-lhe de alucinação, fantasia… que êle talvez estivesse dormindo… que às vêzes dão-se casos extraordinários, inexplicáveis… E procurava persuadí-lo com outros meios termos, que apesar de nada valerem, servem para consolar os céticos. Mandou preparar o coche e acompanhou o conde à sua casa.
Dez ou doze dias depois deste estranho acontecimento, um estafeta do exército comunicava ao meu avô, entre outras coisas, a morte do general V…
Naquela madrugada em que o conde Orloff o tinha visto e ouvido, o infeliz general, saindo a estudar a posição do inimigo, foi varado por uma bala e caiu morto.
“Existe um inferno, e eu lá estou…”
Eis as palavras de um que veio do outro mundo!

O segundo fato é referido pelo mesmo autor, que o tem por indubitável, como o precedente, pois o ouviu da bôca de um repeitabilíssimo eclesiástico, superior de importante comunidade, o qual por sua vez, soube os pormenores mediante um parente da senhora, com a qual se deu tal fato. Naquele tempo, isto é, por ocasião do Natal de 1859, ela ainda vivia e contava pouco mais de quarenta anos.
Achava-se essa dama em Londres no inverno de 1847 e 1848; enviuvara aos 29 anos, era muito rica e muito amiga dos divertimentos mundanos. Entre as pessoas elegantes que freqüentavam a sua casa, notava-se especialmente um moço, cujas contínuas visitas a comprometiam não pouco e cuja vida estava longe de ser edificante.
Uma noite, a senhora lia não sei que romance para conciliar o sono. Ouvindo bater o relógio, apagou a vela e dispunha-se para deitar, quando percebeu, com grande assombro, que uma luz estranha e pálida vinha da porta do salão contiguo e espalhava-se a pouco e pouco no quarto, aumentando sempre. Não sabendo o que era, do pasmo passou ao mêdo; eis senão quando, viu abrir-se lentamente a porta do salão e entrar no quarto o jovem desregrado, o qual, antes que ela pudesse pronunciar palavra, aproximou-se, tomando-a pelo braço esquerdo, apertando-lhe fortemente o pulso, e com aceno desesperado, lhe falou em inglês:
– Existe o inferno!
Foi tão grande o susto que a senhora perdeu os sentidos. Voltando a si, tocou nervosamente a campainha para chamar a criada, que a tendeu; entrando no quarto, esta sentiu logo um cheiro de queimado e chegando-se à ama, que com dificuldade articulava umas palavras pôde ver que tinha ao redor do pulso uma queimadura tão profunda que a carne desaparecera e ficava à mostra o osso. Observou além disso, que da porta do salão até o leito e do leito à porta do salão estava impressa a pegada de um homem, que tinha queimado o pano de parte a parte. Por ordem da ama, abriu a porta do salão, e notou que lá terminavam as pegadas no tapete.
No dia seguinte, a desditosa senhora soube com aquele mêdo que bem se compreende, que alta noite, o tal moço se embriagara com excesso, e transportado para casa, veio a morrer pouco depois.
Ignoro, acrescenta o superior, se esta terrível lição tenha convertido a infeliz dama; o que sei é que ela ainda vive e para esconder aos olhares curiosos o sinal daquela sinistra queimadura, leva no pulso, à guisa de bracelete, um largo enfeite de ouro, que não deixa nem de dia nem de noite. Repito que os particulares eu os tive da bôca de um seu parente próximo, católico sincero, a cuja
palavra presto fé. Os parentes não falam do ocorrido e é por isso que tenho o cuidado de ocultar o nome da família.
Apesar do véu, no qual esta aparição foi e deveu ser envolvida, não me parece, acrescenta Monsenhor Ségur, que se possa pôr em dúvida a formidável autenticidade.

O terceiro fato aconteceu na Itália.
Em 1873, em Roma, alguns dias antes da Assunção, uma moça, bastante má, machucou uma das mãos. Levaram-na para o Hospital da Consolação. Ou porque o sangue estivesse muito deteriorado ou porque sobreviesse grave complicação, a infeliz morreu naquela noite.
No mesmo instante uma de suas companheiras, que não sabia o que acontecera no hospital, pôs-se a gritar desesperadamente, a tal ponto que acordou tôda a vizinhança e provocou a intervenção da polícia.
A companheira que morrera no hospital apareceu envolvida em chamas e lhe disse: –“Estou condenada, e se não queres condenar-te também, sai deste lugar infame e volta a Deus.”
Nada consegui acalmar a agitação da jovem, que bem cedo abandonou aquela casa, deixando a todos atônitos, especialmente depois de divulgada a notícia da morte da companheira, no hospital.
Aconteceu que, logo depois, a proprietária da casa, uma garibaldina exaltada, caiu doente, mandou logo chamar um padre, dizendo que queria receber os sacramentos. A Autoridade Eclesiástica delegou para êsse fim um digno sacerdote, Monsenhor Piroli, pároco de S. Salvador em Laura. Munido de especiais instruções, êle se apresentou e exigiu, antes de tudo, que a doente fizesse, perante testemunhas, plena retratação de suas blasfêmias e insultos contra o Sumo Pontífice e declarasse que afastaria as ocasiões de pecado. Sem a menor hesitação, a infeliz promete e então se confessa e recebe o Sagrado Viático com grandes sentimentos de penitência e humildade.
Pressentindo o seu fim, a pobre mulher, com lágrimas nos olhos suplicou ao padre que não a abandonasse, amedrontada como estava por aquela aparição. Assim, teve a grande graça de ser assistida nos últimos momentos pelo ministro de Deus.
Tôda a Roma conheceu logo os particulares desta tragédia.
Como sempre, os ímpios e os libertinos fizeram dela objeto de chacota, abstendo-se, à aposta, de obter oportunas informações; mas, de sua parte, os bons aproveitaram para se tornarem melhores e mais exatos no cumprimento de seus deveres.

Santa Tereza foi um dia arrebatada em êxtase e levada ao inferno para ver o seu lugar, caso não se emendasse de certo defeito.
Ela mesma conta em sua autobiografia:
“Estando um dia em oração, fui transportada, sem saber como, em corpo e alma, ao inferno. Compreendi que Deus queria mostrar-me o lugar que ocuparia, se não mudasse de vida. Não tenho palavras que possam dar uma pequena idéia desse tormento incompreensível. Sentia em minha alma um fogo que me devorava e o corpo sofria dores insuportáveis. Dúrante minha vida passei por duros sofrimentos, mas, nem se comparavam com os que tive naquela ocasião; e ainda êsses subiam de ponto, ao pensar que seriam eternos e sem o menor alívio. Mas, apesar de as torturas do corpo serem atrozes, não tinham comparação com as agonias da alma. Ao mesmo tempo, sentia-me queimar e partir em pedaços, sofria tôdas as angústias da morte e os horrores do desespêro.
Num raio de esperança e de consolação naquela moradia, aí se respira um odor pestilencial, que sufoca; nem um raio de luz, mas tudo são trevas da mais densa escuridão; contudo, oh! mistério, mesmo naquele escuro se distingue o que de mais penoso há para a vista.
Em suma, tudo o que ouvi dizer ou li sôbre as penas do inferno é insignificante em confronto com a realidade; entre aquelas penas e estas há a mesma diferença entre uma pessoa e o seu retrato. Ai! o fogo dêste mundo por mais ardente que seja, é como o fogo pintado, comparado com aquêle que atormenta os réprobos no inferno.
Há dez anos que tive esta visão, mas estou ainda agora tão espantada, que, enquanto escrevo, o mêdo gela-me o sangue nas veias. Em meio às provocações e dores que tenho, trago à mente esta visão e de aí tiro fôrça para tudo suportar”.

Vicente de Beauvais, no livro 25 de sua História, refere o seguinte fato, acontecido pleno ano 1000.
Dois libertinos fizeram uma combinação: o primeiro a morrer viria à terra participar ao companheiro em que estado se achava. Morreu um deles, e Deus permitiu aparecesse ao amigo: era horrendo, parecia sofrer duramente e suava em bicas. Enxugou a fronte com a mão e deixou cair uma gota de suor no braço do companheiro, dizendo-lhe:
– Eis qual é o suor do inferno; dêle terás um vestígio até à morte.
E assim foi, pois aquêle suor infernal queimou-lhe o braço, penetrando na carne com dores inauditas.
Bom para êle que soube aproveitar-se de tão terrível lição e retirou-se para o convento.

Fala-nos o Padre Nierenberg de um jovem que levava uma vida aparentemente cristã, mas odiava a um inimigo; e conquanto frequentasse os Sacramentos, nutria para com êle sentimentos de vingança, que Jesus Cristo obrigava depor.
Morrendo, apareceu ao pai, todo envolvido em chamas, e disse-lhe que se condenara por não ter perdoado ao seu inimigo, e chorando exclamou:
– Ah! se tôdas as estrêlas do céu fossem como línguas de fogo, não traduziriam os tormentos que sofro.

Um virtuoso sacerdote, enquanto estava exorcizando um energúmeno, perguntou ao demônio que penas sofria no inferno. A resposta foi esta:
– Um fogo eterno, uma maldição eterna, uma raiva eterna e um desespêro cruel por não poder mais ver Aquele que me criou.
– Que farias para que te fosse concedido ver a Deus?
– Para vê-lo, mesmo por um instante, estaria pronto a sofrer num minuto tôdas as penas que devo sofrer em dez mil anos… Mas, vãos desejos, hei de sofrer sempre e não O tornarei mais a ver.
E foi tal o tormento e o desespêro com que pronunciou estas palavras, que deixou funda impressão naquelas que assistiam aos exorcismos.

Eu não creio em nada
– Eu não creio em nada, dizia-me duma feita um dêsses doutores da impiedade, com empáfia.
– Como? Vós não credes em nada? repliquei. Então não credes na existência da América, da Oceania…
– Oh! Certamente que sim; queria dizer, não creio em nenhuma coisa sobrenatural.
– Mas, porque credes na existência da América e da Oceania, que nunca vistes?
– Tem graça! Creio porque o afirmam os geógrafos e muitas pessoas que perlustraram essas regiões.
– E se credes na existência de coisas que nunca vistes, só porque o dizem os homens, porque não credes na existência do inferno, do juízo, revelada pela palavra infalível de Deus, confirmada pela razão e proclamada pela voz de todos os povos?
O livre pensador deu de ombros e não soube responder; mas, nem por isso se converteu. Custava-lhe tanto deixar sua vida desregrada e praticar a virtude!
Como são dignos de compaixão êsses libertinos! Pretendem destruir o inferno, negando-lhe a existência; mas, quem nega uma coisa não consegue eliminá-la. Se eu negasse a existência da América ou da África, não conseguiria riscá-las da face do globo, mas subsistiriam, não obstante minha negação. Negai, negai quanto quiserdes a existência do inferno, que apesar disso o inferno continuará a existir e a queimar as suas vítimas, e um dia se abrirá para vós e vos sepultará naquelas chamas, se vos não corrigirdes de vossas desordens. A vossa fanfarrice e a vossa negação estulta não apagarão certamente aqueles ardores sempiternos, ao contrário, servirão para os aumentar e fazer-vos afundar mais naquele abismo. Quanto mais vos obstinardes na infidelidade e na negação do inferno, tanto mais acumulareis pecados e culpas para expiar na eterna prisão.

O Padre Bach, na vida de S. Francisco de Jerônimo, narra a triste sorte duma mulher incrédula que zombava do inferno e dos novíssimos. O fato não deixa nenhuma dúvida, pois foi
juridicamente provado no processo de canonização do santo, e atestado com juramento por muitas testemunhas oculares.
No ano de 1707, S. Francisco de Jerônimo prègava, como de costume, nos arrabaldes de Nápoles, falando sôbre o inferno e os terríveis castigos reservados aos pecadores obstinados. Uma mulher insolente, morava na redondeza, aborrecida com aqueles sermões, que lhe acordavam no coração amargos remorsos, procurou molestá-lo com chascos e gritos, desde a janela de sua casa; uma vez, o santo lhe disse: – Ai de ti, filha, se resistes à graça! não passarão oito dias, sem que Deus te castigue.
A desaforada mulher não se perturbou por aquela ameaça e continuou a com suas más intenções. Passaram-se oito dias, e o santo foi prègar de novo perto daquela casa, mas desta vez as janelas estavam fachadas e ninguém o importunava. Os vizinhos que ouviam consternados lhe disseram que Catarina (tal era o nome daquela péssima mulher) tinha morrido de improviso, pouco antes.
– Morreu? disse o servo de Deus; pois bem, agora nos diga de que valeu zombar do inferno; vamos perguntar-lhe.
Os ouvintes sentiram que essas palavras o santo as pronunciara com inspiração, e por isso todos esperaram um milagre. Acompanhado da multidão subiu à sala, convertida em câmara ardente, e após breve oração, descobriu o rosto da morta e:
– Catarina, gritou, diz-nos onde estás!
A esta ordem, a defunta ergue a cabeça, abre os olhos, toma côr o seu rosto, e em atitude de horrível desespêro, profere com voz lúgubre estas palavras:
– No inferno! eu estou no inferno!
Imediatamente cai e volta ao estado de frio cadáver.
Eu estava presente ao fato, afirma uma das testemunhas que depuseram no tribunal apostólico, mas não saberia explicar a impressão que causou em mim e nos circunstantes; ainda hoje, passando perto daquela casa e olhando a tal janela, fico muito impressionado. Quando vejo aquela funesta moradia, parece-me ouvir a lúgubre voz: – No inferno! eu estou no inferno!

Na vida de S. Bruno, fundador dos Cartuxos, lê-se a ressurreição momentânea de uma personagem respeitável para atestar diante de muita gente a própria condenação. París e tôda a França ficaram horrorizados com êsse acontecimento; foi, então, que Bruno temendo os juízos divinos retirou-se para a Cartuxa a fim de lavar vida austerríssima.
Morreu Raimundo Diocres, doutor de Sorbona, homem conceituadíssimo pela sua vasta ciência, não menos por uma aparência de virtude. Depois de três dias, o seu corpo, revestido das insígnias doutorais, foi transportado solenemente para ser sepultado; acompanhavam-no o colégio dos professores, grande número de estudantes e teoria de clero.
As exéquias celebraram-se na catedral, revestida de luto, entre luzes e muitas inscrições que lembravam a insígne ciência e as virtudes do ilustre extinto. Mas quando o coro dos cantores chegou àquele trecho do ofício: Responde mihi: quantas habeo iniquitates et peccata; scélera mea et delicta ostende mihi; onde o santo Job roga a Deus lhe faça conhecer as suas culpas, o cadáver levantou a cabeça e féretro e com voz lastimosa exclamou: Por justo juízo de Deus sou acusado: dito isto, tornou a repousar a cabeça, como dantes.
Apoderou-se dos assistentes um terror geral, e resolveram deixar para o outro dia os funerais. Neste dia foi muito maior a concorrência; recomeçou-se o ofício, e ao chegar às mesmas palavras, tornou o cadáver a erguer a cabaça e a exclamar com voz esforçada e mais lastimosa: Por justo juízo de Deus estou julgado.
Subiu de ponto o pasmo e o espanto. Resolveram diferir a inumação para o terceiro dia. Nesta foi imenso o concurso; deu-se princípio ao ofício, como nos precedentes; quando se cantavam as mesmas palavras, levantou o defunto a cabeça, e em voz horrível e espantosa exclamou: Não careço de orações; por justo juízo de Deus estou condenado ao fogo eterno.
É fácil compreender a impressão que faria nos ânimos um acontecimento tão extraordinário. Achava-se Bruno presente a êste espetáculo; tão fortemente se emocionou com êle que, retirando-se horrorizado, resolveu deixar quanto tinha e enterrar-se em algum espantoso deserto para ali passar a vida entregue unicamente aos rigores da mortificação e da penitência. Parecia necessário um sucesso tão trágico para uma resolução tão generosa.

Santo Antônio de Florença refere nos seus escritos um fato terrível, que pela metade do século XV encheu de pavor todo o norte da Itália.
Um rapaz de boa família, que na idade de 16 para 17 anos tivera a desgraça de calar na confissão um pecado mortal e de comungar nesse estado, ia adiando, de semana em semana, de um mês para outro, a confissão para êle tão penosa dos seus sacrilégios. O santo arcebispo não menciona qual fôsse o pecado oculto, mas parece que tenha sido uma culpa grave contra a bela virtude. Atormentado pelos remorsos, em vez de descobrir com sinceridade a sua miserável condição, procurava a paz fazendo grandes penitências; mas inutilmente.
Não agüentando mais os contínuos assaltos da consciência entrou num convento, pensando: – Lá, ao menos, confessar-me-ei bem e farei penitência dos meus pecados: Por sua desgraça foi recebido como um moço de vida exemplar, pois os superiores sabiam da boa reputação de que gozava; e por isso, também aqui a voz da consciência para outra ocasião, e dois, três anos passou-se em tal deplorável estado, sem ter a coragem de se confessar.
Afinal uma doença parecia-lhe trouxesse oportunidade: – Desta vez, dizia consigo o infeliz, manifesto tudo e faço uma confissão geral antes de morrer.
Mas, também desta vez não foi sincero na acusação; fez tantos rodeios que o confessor não compreendeu nada; esperava confessar-se melhor no dia seguinte, mas surpreendido por uma crise, expirou miseràvelmente nesse estado.
Na comunidade, ignorando todos o seu triste fim, cercaram de veneração o defunto; o corpo foi transportado para a igreja do convento, onde ficou exposto no côro até as matinas do dia seguinte, quando se fariam as exéquias.
Uns minutos antes da hora marcada para a cerimônia, a um dos frades que fora tocar o sino aparece o morto amarrado de correntes afogueadas com não sei que de incandescente que lhe transparecia em tôda a pessoa. O frade caíu de mêdo, mas cravou o olhar naquela terrível aparição; então o réprobo lhe falou: – “Não rezeis por mim, que estou no inferno para sempre.” E contou-lhe a lamentável história de sua maldita vergonha e dos seus sacrilégios. Depois desapareceu, deixando na igreja um odor pestífero que se espalhou por todo o convento, como para atestar a verdade do que o frade tinha visto e ouvido.
Advertidos os superiores fizeram remover de aí o cadáver, julgando-o indigno de sepultura eclesiástica.

Narram as crónicas de S. Bento de um solitário de nome Pelágio, que encarregado pelo pai da guarda do rebanho, levava vida exemplar, tanto assim que todos lhe chamavam santo. Assim viveu muitos anos. Mortos os pais, vendeu as poucas coisas que lhe deixaram, e se retirou para o ermo.
Uma ocasião teve a desgraça de consentir num pensamento desonesto. Cometido o pecado, caiu em profunda melancolia porque não queria confessá-lo, para não perder a fama em que era tido. Resolveu fazer penitência, sem confessar o pecado, iludindo-se a si mesmo que Deus talvez
lhe perdoasse sem confissão. Entrou num convento, onde foi recebido pela sua boa fama, e aí viveu vida austera. Chegou a hora da morte e êle se confessou pela última vez; mas como por vergonha ocultara o pecado durante a vida, assim deixou de o contar na hora da morte. Depois de receber o viático morreu e foi sepultado como o mesmo conceito de santo.
Na noite seguinte o sacristão encontrou o corpo de Pelágio em cima da sepultura e o enterrou outra vez; como, porém, o encontrasse desenterrado três noites consecutivas, avisou o abade, o qual foi ao sepulcro com outros frades, e:
– Pelágio, disse, tu foste sempre obediente durante a vida, obedece-me também agora depois de morto; dize-me: é talvez vontade divina que o teu corpo tenha lugar reservado?
O infeliz defunto dando um formidável grito respondeu:
– Ai! eu estou condenado por um pecado que não confessei; olhe, snr. abade, para meu corpo.
E o seu corpo, nêsse instante, apareceu como um ferro em brasa, que mandava chispas. Todos fugiam espavoridos; mas Pelágio chamou o abade para que lhe tirasse da bôca a partícula consagrada que ainda se achava aí. Depois disto, Pelágio disse que o tirassem da igreja e o lançassem no monturo, e a ordem foi executada.

Conta o Padre João Batista Manni, jesuita, que houve uma pessoa que por muitos anos calou na confissão um pecado de desonestidade.
Passaram por aquêle lugar dois frades dominicanos; ela, que sempre esperava um confessor estranho, pediu a um dêles que a ouvisse em confissão. Saindo da igreja, o companheiro contou ao confessor, que observara que, enquanto aquela senhora se confessava, saiam de sua bôca muitas serpentes; mas, que uma enorme serpente apenas pôs para fora a cabeça e entrou de novo; e então voltaram tôdas as outras.
O confessor, suspeitando o que isso pudesse ser, correu à casa daquela senhora; na porta lhe disseram que ela ao chegar à sala caira morta.
Depois disto, apareceu-lhe, durante a oração, a pobre mulher vestida de fogo e disse: – Eu sou aquela mulher que me confessei contigo, cometendo um sacrilégio; eu tinha um pecado que não queria confessar aos sacerdotes da cidade; Deus mandou um confessor de fora, e foste tu, mas também nessa ocasião deixei-me vencer pela vergonha e logo a justiça divina me castigou, tirando-me a vida apenas cheguei à casa, e justamente me condenou ao inferno.
Tendo assim falado, abriu-se a terra onde se precipitou e desapareceu para sempre.

No ano 285, duas matronas cristãs, Donvina e Teonila, foram levadas ao prefeito Lisias que as intimou a renegarem a fé e abraçarem o culto dos ídolos. Elas recusaram terminantemente. Então o prefeito mandou acender o fogo e erguer um altar dos ídolos.
– Escolhei, disse; ou queimar incenso aos nossos deuses, ou ser vós mesmas queimadas nesta fogueira.
As duas mártires responderam sem hesitar:
– Nós não tememos êste fogo que daqui a pouco se apaga; tememos, sim, o fogo do inferno que não se apaga nunca. Para não cair no inferno é que detestamos os vossos ídolos e adoramos a Jesus Cristo.
E assim sofreram o martírio.


Extraído do livro O Inferno Existe, do Venerável Padre André Beltrami, SDB

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O INFERNO ETERNO


A Tradição da Igreja, a Sagrada Escritura, especialmente os Evangelhos e as tradições dos povos falam dessa realidade terrível ao qual chamamos de Inferno.
O Inferno existe e é dogma de Fé, isto é, declarado pela Igreja como uma verdade que é necessária crer. Não se pode acreditar na existência de Deus e não crer na existência do Inferno, porque seria como crer na existência da luz e não crer na existência das sombras. Onde não há luz, há sombras, escuridão, portanto onde não há a presença de Deus, aí está o inferno.

Jesus Cristo falou do Inferno como realidade?

Sim. Veja algumas passagens:

Ora, eu vos digo: todo aquele que tratar seu irmão com raiva deverá responder no tribunal; quem disser ao seu irmão ‘imbecil’ deverá responder perante o sinédrio; quem chamar seu irmão de ‘louco’ poderá ser condenado ao fogo do inferno.
(São Mateus 5, 22)

Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas são incapazes de matar a alma! Pelo contrário, temei Aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!
(São Mateus 10, 28)

Se teu pé te leva à queda, corta-o! É melhor entrar na vida tendo só um dos pés do que, tendo os dois, ser lançado ao inferno. Onde o verme deles não morre e o fogo nunca se apaga.
(São Marcos 9, 45-48)

Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei Aquele que, depois de fazer morrer, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este deveis temer.
(São Lucas 12, 5)

Depois, o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos.
(São Mateus 25, 41)

Ora, eu vos digo: muitos virão do oriente e do ocidente e tomarão lugar à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, enquanto os filhos do Reino serão lançados fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”.
(São Mateus 8, 12)

E a célebre passagem da parábola de Lázaro e o rico:

Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe Abraão, com Lázaro ao seu lado. Então gritou: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que durante a vida recebeste teus bens e Lázaro, por sua vez, seus males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
(Lucas 16, 22-28)

Existem outras passagens na Sagrada Escritura?

Também. Aqui cito algumas:

Eles serão punidos com a ruína eterna, longe da face do Senhor e da glória do seu poder.
(II Tess 1, 9)

Quem não tinha o seu nome escrito no livro da vida, foi também atirado no lago de fogo.
(Apocalipse 20, 15)

Depois, quando saírem, hão de ver os cadáveres daqueles que se rebelaram contra mim, pois o verme que os corrói jamais morre e o fogo que os consome jamais se apaga: coisa asquerosa para tudo o que é carne.
(Isaias 66, 24)

Pois Deus não poupou os anjos pecadores, mas os precipitou no lugar do castigo e os entregou aos abismos das trevas, onde estão guardados até o juízo.
(II São Pedro 2, 4)

O que é o Inferno?

Assim como o Céu, o Inferno é uma realidade espiritual. Os exegetas e teólogos concordam que o Inferno é a condenação eterna da alma que morreu sem a graça de Deus, “vivendo” ela sem Deus e a felicidade infinita e eterna que somente se encontra na Vida de Deus.

De onde surgiu o Inferno?

O Inferno, propriamente dito, foi uma invenção do diabo. Pela rebelião dos anjos, o Inferno passou a existir, porque ele apareceu pela escolha de satanás de não servir a Deus e viver sem Ele. A partir do momento que esses seres fizeram essa escolha, a realidade de viver sem Deus passou a ser possível: seria possível passar a eternidade sem Deus. Eis aí a realidade do Inferno.
Logo que satanás e os demais anjos rebeldes encontraram-se nessa terrível realidade sem Deus, por inveja e ódio dos seres humanos, resolveram então tentar o ser humano para que a raça humana também pudesse cair nessa realidade infeliz. E Adão e Eva aceitaram a proposta de satanás: de viver sem Deus.


Quem pode ir para o Inferno?

Qualquer pessoa que morra sem a vida de Deus em sua alma.
Por Jesus Cristo adquirimos a graça santificante, ou a vida divina, em nossa alma. Pelo pecado mortal, a perdemos. Se alguém morrer em estado de pecado mortal, ou seja, sem a vida de Deus, sem a graça de Deus em sua alma, ela, após a morte, vai diretamente para o Inferno, de onde jamais sairá.
Portanto, o Inferno é uma escolha pessoal. Eu escolho pecar mortalmente e perder a vida de Deus em minha alma, e se morro assim, minha alma entra na eternidade sem a vida de Deus, e por isso, não posso viver com Deus por não ter morrido com sua Vida em mim.

O Senhor não tarda a cumprir sua promessa, como alguns interpretam a demora. É que ele está usando de paciência para convosco, pois não deseja que ninguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se.
(II São Pedro 3, 9)

Dize-lhes: † Juro por minha vida — oráculo do Senhor DEUS — não tenho prazer na morte do ímpio, mas antes que ele mude de conduta e viva! Mudai, mudai de conduta! Por que haverias de morrer, casa de Israel?
(Ezequiel 33, 11)

A pessoa que morre sem Deus, passará a eternidade sem Deus. É uma livre escolha da pessoa que morre nesse estado de morte espiritual, isto é, sem a vida divina em sua alma.

A Igreja diz no Catecismo:

§1033. Não podemos estar unidos a Deus se não fizermos livremente a opção de amá-lo. Mas não podemos amar a Deus se pecamos gravemente contra Ele, contra nosso próximo ou contra nós mesmos: "Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia seu irmão é homicida; e sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1 Jo 3,14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados dele se deixarmos de ir ao encontro das necessidades graves dos pobres e dos pequenos que são seus irmãos  e morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado do Todo-Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa com a palavra "inferno".
§1034. Jesus fala muitas vezes da "Geena", do "fogo que não se apaga", reservado aos que recusam até o fim de sua vida crer e converter-se, e no qual se pode perder ao mesmo tempo a alma e o corpo. Jesus anuncia em termos graves que "enviar seus anjos, e eles erradicarão de seu Reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade, e os lançarão na fornalha ardente" (Mt 13,41-42), e que pronunciar a condenação: "Afastai-vos de mim malditos, para o fogo eterno!" (Mt 25,41).
§1035 O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno". A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira.

Onde fica o Inferno?

O Inferno não é um local físico. É um estado espiritual. O demônio que se rebelou e expulsou a vida divina de si, vive o inferno onde quer que ele esteja. Ele carrega consigo essa condenação ao qual se submeteu por querer não servir a Deus e viver uma independência. Também, a pessoa humana que morrer sem penitência final, em pecado mortal, também terá o Inferno em si.

Quais são os sofrimentos daqueles que foram para o Inferno?
O Inferno, por ser uma separação eterna de Deus que é Amor, felicidade, justiça, paz, beleza em termos infinitos, a alma separada de Deus não encontrará nada disso, antes o vácuo espiritual. Será como uma depressão profunda eterna em escala quase infinita, contudo eterna. Não haverá nenhuma faísca de felicidade ou gozo, de virtude ou amor, antes, a alma sentirá somente aquilo que existe quando Deus não está: ódio, infelicidade, tristeza, remorso, medo, terror, etc. A alma, vendo que perdeu um Bem eterno e infinito, se punirá a si mesma eternamente com pensamentos e sentimentos de remorsos. Será uma punição espiritual da qual temos pouca ideia por estarmos ainda ligados ao sentido do corpo. Nessa condição de Inferno o condenado se sentirá limitado, mutilado, sem Deus por toda a eternidade. Um vazio interior, uma depressão penetrante, será como um fogo, um verme que o corroerá para sempre. Não conseguirá o perdão de Deus, porque não se arrependerá, apesar de Deus o querer perdoar. Viverá num dilema terrível e imutável: terá saudade de Deus que viu no seu julgamento particular, após sua morte, mas não  se sentirá capacitado para amá-Lo e por isso se não se arrependerá, e o perdão de Deus não conseguirá atingir sua alma impenitente.
Será um ciclo de dor e de revolta, de querer viver a felicidade sem Deus, sabendo que isto não lhe será possível, porque descobre que fora de Deus nada existe senão o que não é Deus, isto é, o nada.
A alma se odiará e odiará tudo o que existe, porque não será capaz de amar, porque não está com Deus, e só Deus é amor. E quanto mais lembrar-se de Deus e de sua Criação, se torturará ainda mais, sabendo o que perdeu, porém, não será capaz de reverter o processo de autopunição, por não ser capaz de sentir amor por si. Será um circulo vicioso de dor, ódio, infelicidade, inquietação. A pessoa terá plena consciência de sua vida terrestre e do que perdeu junto de Deus.
Quanto mais próxima a pessoa foi de Deus em vida, quanto mais conhecimento tinha de Deus e das coisas do céu, ou quanto mais capaz foi de conhecer a Verdade, maior será seu sofrimento se vier a cair nesse estado infernal. Será maior o abismo espiritual que abriu para si mesmo entre sua alma e Deus. 

Não haverá fogo no Inferno? 

Esse fogo do qual fala a Escritura é um fogo espiritual, nada tendo a ver com o fogo físico. É o fogo da sua punição interior, onde seus sentidos arderão como brasas por remorso e ódio de si mesmo por ter fugido de um Deus tão amoroso. É o fogo do amor de Deus que está em toda parte que a queimará: a alma encontrará Deus que é amor em toda parte, mas fugirá Dele e não fixará seus sentidos em Deus, mas em si mesmo. Fará de si um deus oco e sem poder, onde cairá sempre num vazio de depressão eterna. Este é o fogo interno que sentirá a alma eternamente, que arderá em si, como (metaforicamente) “o calor no inverno que ao invés de esquentar queima a pele e faz a pessoa sofrer”.  Deus é o calor no inverno para aqueles que se salvam, mas para os que se perdem é o que queima suas peles. 

Se Deus é amor, por que Ele permite que exista o Inferno? 

Como Deus é amor, se não existisse o Inferno, isto demonstraria que Ele não é amor. O amor não obriga ninguém a nada. O ditador que obriga seus súditos a cumprirem suas leis não demonstra amor. Aquele que amarra a si alguém não ama este alguém, mas quer esta pessoa como escrava.
Deus fez seres livres para amar segundo suas próprias escolhas. Ele não obriga ninguém a amá-Lo ou servi-Lo. Ele quer pessoas livres, não escravos ou robôs. As pessoas que morrem e vão para o Inferno, significa que não escolheram amar a Deus eternamente. Foi uma escolha. Deus sofre com isto, mas seu amor não pode obrigar essas pessoas a passarem a eternidade com Ele.
E se Deus resolvesse punir aqueles que pecam, não seria totalmente justo? Isso de nada feriria a perfeição do amor de Deus, porque o amor é verdade e justiça, é harmonia, é colocar as peças nos seus devidos lugares. E como o pecado fere a Deus, um Ser infinito, ele requer um pagamento infinito. Assim como alguém agredir uma pessoa comum como eu ou ferir o presidente da República tem um peso diferente, também, pecar contra um Deus infinito, imortal, eterno, amor, justo tem um peso segundo sua importância. Sabemos que Deus é infinitamente importante, porque Ele é infinito, portanto, pecar contra Ele tem um preço infinito. Sendo assim, somente um Deus infinito pode pagar esse preço, por isso Deus se encarnou e pagou o preço dos pecados daqueles que se achegam até Ele.
Se Deus resolvesse nos punir pelos nossos pecados, cada um deles, seria totalmente justo e em nada Ele erraria em fazer isto. Mas Ele não quer fazer isto, tanto é que Ele veio em Pessoa nos salvar.

Em outro Blog escrevi uma pequena história sobre uma alma que caiu o Inferno e o que ela viu lá. Claro que é uma parábola, mas tentei seguir o que a Sagrada Escritura ensina e o que os santos da Igreja viram através de visões sobre esse estado perpétuo.

Audio sobre o assunto:



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