terça-feira, 5 de junho de 2012

O QUE ACONTECE DEPOIS DA MORTE SEGUNDO A BíBLIA: O PURGATÓRIO.

Aquela multidão clamava uníssono; aquelas vozes numa comunicação diferente da humana, unidas, formavam um hino poderoso diante do Criador, um hino de amor; e eles se deixavam tocar pela purificação para que fossem capazes de entrar na beatitude eterna. Eles sabiam que não eram capazes de entrar no estado eterno de felicidade do jeito que eles chegaram ali. Seria como tentar fazer a Via Láctea caber num dedal.
Pedro sentia-se esperançoso e muito ansioso para que chegasse o momento de sair dali, como havia-lhe sido prometido que aconteceria. Volta e meia, via aparecer um ser que tinha o aspecto do embaixador que lhe acompanhara e resgatar alguma pessoa que estivesse ali. E esses seres que iam até ali sempre tinham alguma palavra de consolo para aqueles que jaziam naquele estado. Também, uma indizível Senhora sempre lhes aparecia com tal esplendor que eles tinham receio de olhar para ela e morrerem mais uma vez. Ela sempre levava àquela multidão uma palavra de esperança. Também, Ela sempre vinha ali para resgatar alguma alma agraciada e a levava embora dali com cantos de louvores.
Pedro não fazia ideia de quanto tempo já estava ali. Parecia-lhe às vezes que fazia anos, mas algumas vezes parecia que fazia minutos. Mas não importava nada disso, porque o que importava era que veria Deus tal como Ele é, face a face, e estaria com a Felicidade infinita eternamente; e o mais surpreendente: poderia usufruir dessa felicidade e viver nela.
Diante de si, aquela multidão que não via fim, era um lembrete de que a impureza humana era incompatível com Deus. Ninguém podia entrar na presença de Deus com o coração impuro e as mãos sujas. Ele sabia disso e vendo o que ele viu, entendia que era completamente justo, e se Jesus não tivesse lhe dito isto, ele mesmo pediria isto a Ele, pois não se sentia limpo o suficiente para continuar olhando aquele olhar puríssimo.
Quanto mais Pedro esperava, mais aumentava seu amor por Deus e sua esperança de sair dali. Quanto mais se entregava ao amor de Deus, mais limpo se sentia. Ele recordava-se da Terra, mas mesmo ali, não sentia a menor saudade de lá. Pensava em sua esposa e em seus filhos, e queria vê-los, mas não queria nunca mais voltar para a Terra. Mesmo estando no estado em que se encontrava, ele não queria voltar a viver como vivia antes. Apesar de sentir-se incompleto e cheio de uma dor agudíssima por não estar vivendo com Deus ainda, Pedro entendia profundamente que essa dor era necessária para que seu encontro com a Divindade fosse mais que um encontro, se tornasse uma união. E isto avivava em seu coração como uma chama pura e cheia de fulgor tanto que ele sentia-se como derretendo em meio a chamas de amor. O amor fazia-o sentir queimando por dentro numa dor de saudade de Deus. A única coisa que Pedro desejava ali era sair e ir unir-se ao Espírito de Deus. Nada mais. Ele não sabia o que o esperava, mas conseguiu enxergar a “claridade que passava pela cortina”.
Naquele estado Pedro não sentia dor física alguma. Nenhuma necessidade ou prazer físico. Não estava ali em corpo, mas seu “espírito”, seu “sopro”, sua “essência”, isto é, seu pensamento estava ali... e “sentia”, “via” e “ouvia” – e pensava, lembrava, meditava. Mas tudo era transcendental, algo além de tudo o que se pode ser explicado. Um cientista cético ali enlouqueceria, e desejaria compor volumes e mais volumes sobre como as coisas ocorriam ali, desde a comunicação não verbal, sem palavras, até o modo como eram “feitas” as almas e o fato de elas não estarem em um lugar, mas num estado. Ali não havia objetos, paisagens, som, imagem, luz ou escuridão. Era algo além disso, como o ser humano nem pode sequer descrever, e sem ver nem pode imaginar que exista. Nenhum ser humano que não tenha visto pode sequer imaginar um cisco do que aquele estado é, ou como é o “pensamento”, a mente humana, isto é, o que chamamos de alma espiritual. Não existe nem sequer uma sombra de ilusão, isto é, a ilusão não existe no mundo espiritual, porque é somente o cérebro que a produz. O que Pedro enxergava sem os olhos físicos era algo além do que o cérebro humano seria capaz de enxergar ou o pensamento formular. Um cientista passaria centenas de bilhões de anos estudando somente uma visão que tivesse ali sem chegar a nenhuma conclusão de como tudo ocorria.
E Pedro ainda veria coisas que superavam infinitamente tudo o que tinha visto até então, no momento que saísse dali. E mais: Pedro veria Alguém, face a face, que ultrapassaria até o infinito.

Ele estava em constante entrega e oração quando, ao olhar para aquela imensa multidão por um segundo, Pedro viu o que poderia ser chamado de alguém numa velocidade incrível percorrendo todo aquele mar de gente. Estava procurando por alguém. Isso acontecia com frequência quando alguma alma sairia daquele estado. E sempre que isso ocorria, todo aquele mar de gente se agitava, elevando cada vez mais suas orações e louvores. Isso alimentava a esperança de sair dali, por isso todos voltavam atentos para aquela aparição.
Aquele ser pairou sobre eles, como que procurando pela pessoa que viera buscar, envolto de um esplendor e beleza que, naturalmente, e a evidência dizia, eram reflexo do esplendor e da beleza do Criador.
De repente, aquele ser, no esplendor que ultrapassava todos os brilhos naturais da Terra, e ainda era diferente do que se via por lá, olhou em sua direção... e seu espírito tremeu como que fosse atingido por um raio. Um estrondo riscou o espaço e Pedro viu abrir sobre si o que poderia chamar de luz, mas não era uma luz. Ele sentiu-se renovado de uma força e flutuou em direção ao ser que o esperava. Nisso, seu corpo espiritual – que não tinha nada a ver com um corpo físico, - transformou-se em um aspecto parecido com o ser que o esperava e foi envolvido de um reflexo divino do qual, ao se olhar, assustava-se por tamanha glória e fulgor.
Pairou sobre aquela multidão que aumentava seu clamor ao ver tal espetáculo. O ser aproximou-se de Pedro e o cumprimentou com voz espiritual tão forte como se houvesse nele caixas amplificadores de alta qualidade.
- Teu Pai te espera.
- Eu também O espero – foi o que Pedro comunicou.

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O QUE ACONTECE DEPOIS DA MORTE SEGUNDO A BíBLIA: O JUIZO PARTICULAR.

Desde seus 10 anos, Pedro tinha medo da passagem. No dia de seu aniversário, ele viu sua amada avó estendida sobre o caixão à espera de ser enterrada no cemitério mais feio do mundo, segundo ele. O corpo de sua avó estava inerte e ele olhou aquilo com... indiferença. Não parecia ser sua avó; era como uma casca ali, deixada para trás. Sua mente trabalhava para não ter qualquer emoção, contudo seu coração gritava aos quatro cantos do mundo. Ele quis deitar e ficar ali com ela... mas teve medo dela. Pela primeira vez, teve medo de sua avó.
A morte de sua avó foi seu primeiro contato com a morte e não seria a última.
Vinte e cinco anos se passara, e ele olhando para a foto escurecida e velha na qual sua falecida avó estava, se lembrava de cada segundo daquele dia terrível. Parecia que era hoje, parecia que tinha acabado de acontecer; ainda conseguia sentir o cheiro das flores, da pele morta de sua avó. Tudo ainda estava gravado em sua mente e em seu coração, e parece que jamais desapareceria.
Era o dia do seu aniversário de trinta e cinco anos, Pedro dirigia seu carro de volta para casa pelas avenidas caóticas depois de um dia extenuante de trabalho. Sua mente estava em sua casa, o aconchego da sua família, e não via a hora de chegar em casa. Seus três filhos pequenos o esperavam, sua esposa o esperava, linda e fiel, e quando pensou neles, seu coração se acelerou e sua mente foi como que atingido por um raio. Um sentimento de culpa pairou sobre sua cabeça e o torturou por alguns instantes.
Pedro sabia que não era justo fazer isso com sua família, especialmente com sua esposa. Manter um contato extraconjugal com uma mulher que ele nem amava era um desperdício de tempo e de energia, mas ele já o mantinha há algumas semanas, e não era a primeira vez que traía sua esposa... a lista de mulheres já tinha passado do limite que podia ser lembrado.
Pedro não era mau. Era um bom pai, amava seus filhos; era um bom esposo, apesar das traições, e tinha sua esposa como a melhor mulher do mundo. Parecia amá-la e daria até sua vida por ela. Era um bom patrão: seus cinco funcionários não tinham nada de mal para falar sobre ele. Ia regularmente à Igreja, rezava com freqüência, ajudava obras de caridade, e sua fama era o de ser o melhor amigo que já existiu.
Pedro, porém, ainda assim sentia um incomodo em seu coração. Ele era o homem que não conseguia se livrar do vicio de sair com outras mulheres, mesmo com um ótimo casamento.
Mas, o que ele não sabia era que isso ainda seria resolvido no dia do seu aniversário.
Quando fez a esquina que dava para a rua de sua casa, Pedro avistou um enorme caminhão, estacionado, perto de sua casa. Sorriu por perceber que ele estaria estacionado bem de frente à sua garagem e dificultaria sua entrada.
Ainda estava pensando nisso quando percebeu que o caminhão não estava parado, ele estava descendo ladeira abaixo, de ré, em sua direção, desgovernado. Ele parou imediatamente o carro pisando fundo no freio, mas antes que pudesse mudar a marcha, o caminhão o atingiu com um barulho ensurdecedor de lataria sendo esmagada e vidros se estilhaçando.
Pedro sentiu um forte impacto em seu corpo e em seu rosto: era o air-bag reagindo ao impacto. No segundo seguinte, percebeu que o carro estava sendo arrastado rapidamente que os pneus até rangiam contra o asfalto. Sentiu um gosto de sangue na boca e um cheiro forte de combustível e fumaça. Ainda no mesmo instante, percebeu que o teto estava se abaixando, atingindo sua cabeça; sentiu também  que a traseira do carro atingiu algum obstáculo, um muro de uma casa ou outro carro, talvez. Foi tudo instantâneo.
Pedro percebeu que seu corpo estava sendo pressionado para baixo, como numa caixa fechada, sentiu sua cabeça girando de um modo lento até atingir uma velocidade perigosa numa vertigem que o fez vomitar. Sentiu que o ar não estava mais entrando em seus pulmões, que existia um entorpecimento em seus braços e pernas, e um calor percorreu todo seu corpo e logo em seguida um formigamento tomou conta dos braços e das pernas até atingir seu rosto. Um gelo tomou conta de tudo à sua volta e ele não conseguiu perceber mais nada.

Uma leveza tomou conta de todo o carro. E ao longe ouviu gritos de desespero e de socorro. Percebeu que um carro freou do lado do seu e ele pôde ver quem estava nele. Era alguém totalmente desconhecido. Essa pessoa saiu do carro com um extintor de incêndio e o esvaziou sobre o seu carro, apagando as primeiras chamas.
Pedro fez um movimento e levantou-se no ar. Tentou segurar-se na cabine amassada do carro, mas não foi capaz. O carro totalmente esmagado contra o muro, pressionado pelo caminhão, ficou uns 3 metros abaixo de si, e ele começou a perceber toda a realidade dessa perspectiva.
As pessoas começaram a se aglomerar em volta do carro, enquanto alguns gesticulavam ao celular e outros impediam a passagem de carros. Ao longe, três ou quatro casas ladeira acima, ele pôde ver sua esposa correndo na direção do carro.
Ela parou de repente, ajoelhando ao lado do carro, enquanto gritava o seu nome. Pedro tentou se aproximar dela, mas sem sucesso: ele não conseguiu se mover de onde estava.
Nesse instante, um carro dos bombeiros parou com ruído ali próximo. Tudo de repente transformou-se diante de si como se um clarão tomasse conta de todo o ambiente e ele sentiu-se ofuscado e banhado por uma luz que jamais vira antes. O lugar onde estava o carro, sua esposa, os curiosos, o carro dos bombeiros foi totalmente tomado por essa luz de tal forma que não conseguiu enxergar mais nada além dessa luz.
Um medo tomou conta de si, ao mesmo tempo que uma leveza percorria todo o seu ser. Se fosse possível, ficaria ali para sempre. Não ouvia nada, nem respiração, nem dor, nem o movimento de vento ou qualquer outro ruído. Apenas o nada em toda parte.
Essa luz era tudo o que podia perceber e ela não o machucava, antes sentia necessidade que essa luz jamais se apagasse.
- Meu Deus, será... que estou morto? – foi seu pensamento. Até pensar era diferente, porque a sensação era que todo seu ser era pensamento e que se alguém estivesse por perto, saberia o que estava pensando.
- Deus... – ecoou em seu ser essa Palavra, como que fosse dita no mais íntimo de seu ser.
Instantaneamente a luz dissipou-se e ele se viu ainda no mesmo lugar que estava antes, vendo todos os acontecimentos a 3 metros de altura. Muitas pessoas estavam ali, bombeiros... e sua esposa amparada por outra mulher que ele não conhecia. E no meio dessa muvuca, alguns bombeiros estavam em volta de um corpo inerte estendido no chão, e Pedro, ao olhar com mais firmeza, percebeu que era ele. Eles puxaram seu corpo e o colocaram sobre uma tábua amarela e energicamente cortaram a multidão e levaram seu corpo até uma ambulância parada ali próximo.
Assombrado, Pedro observava tudo isso, sem poder nem sair de onde estava. O único pensamento que teve foi que estava morto, era sua única resposta.
Nesse instante, sentiu arrebatado até um outro local. Era um hospital muito grande. Num relance, numa velocidade espantosa, Pedro foi puxado atravessando muitos cômodos, alguns com muitos pacientes esperando, outros com médicos e outros com doentes em camas. Segundos depois, viu-se parado no que parecia ser um UTI. Começou a assistir tudo do teto.
- Meu Deus... cadê você? – pensou ruidosamente, como que seu pensamento tivesse ecoado por todo o universo.
Ao analisar bem, viu o paciente que estava na cama. Era ele mesmo, cheio de tubos e fios, envolto de aparelhos estranhos.
De repente começou a entender o que estava acontecendo. Um medico entrou e disse para o outro:
- Está quase tudo preparado para a retirada dos órgãos... e como estão as funções vitais?
O outro medico respondeu algo que Pedro não entendeu.
- E a parte burocrática? – continuou o outro.
Um sentimento perto do desespero apoderou-se de Pedro. Ele estava realmente morto... e agora? Pensou em sua esposa, nos seus filhos... nos seus amigos. Como seria o mundo sem ele?
Mas, um pensamento aterrorizador tomou conta da sua mente: teria que se encontrar com Deus e prestar contas da sua vida?
Ao pensar isso, um grande silêncio tomou conta do seu ser. Ao mesmo instante sentiu-se avivado, e todo desespero desapareceu instantaneamente. Ele sentiu seu ser sendo puxado com uma velocidade incrível até um “lugar” desconhecido para ele, um lugar que não conseguiria nem em um milhão de anos, usando todas as palavras do mundo todo, exprimir com exatidão... e uma paz que ele jamais sonhou existir invadiu seu ser.
Tentou expressar-se, mas a imensidão do “ambiente”, a paz inaudita, a perfeição que sentiu fizeram-no escolher não falar. Preferiu ficar em silêncio, apesar de ainda não ter ouvido auditivamente sua voz.
Quando ainda estava usufruindo desse mundo, Pedro sentiu aproximar-se dele um personagem, mas não o viu. Como ele sentiu, não sabia, mas teve a certeza absoluta que alguém estava se aproximando dele. De que lado vinha? Também não sabia. Não sentiu qualquer fio de medo, mas um respeito tomou conta de si e se pudesse ajoelhar-se teria ajoelhado.
- Tem alguém aí? – Pedro pensou, quanto tentou falar.
O ser que se aproximava parou ao seu lado e Pedro sentiu sua presença cheia de respeito, paz e graça.
- Quem é você? – pensou de novo ao invés de falar. Foi assim que Pedro notou que não tinha mais como falar; seu pensamento era sua fala.
Uma felicidade tocou seu espírito e ele se sentiu inflamado de um amor quando ouviu em sua mente a voz do personagem.
- Sou enviado de Deus para te dar uma mensagem.
- Você é um anjo?
- Sou um das centenas de milhares de bilhões que adoram a Deus sem cessar.
- Onde está Deus?
O personagem pareceu se entristecer, mas sua voz soou como um raio que fez o interior de Pedro se estremecer.
- Pedro, pedra dura! Deus está em toda parte...
- Aqui é o céu? Aqui é muito...
O personagem pareceu mudar de posição em relação a Pedro.
- Pedro, o céu é quando você está imbuído na Divindade e vive e se move Nela. Você e Deus se tornam quase um. Isto aqui não é o céu. Você não pode entrar nele, é incapaz de amar o bastante.
- Então...eu estou morto e não posso entrar no céu, vou para o inferno?
- Aqui é o além vida terrestre. O céu é infinitamente melhor que aqui. Você está aqui comigo porque não é digno de entrar no paraíso. Com suas ações, se você passasse agora pelo juízo com o Espírito Santo tocando em sua consciência, você perceberia que o inferno é o seu lugar eterno.
Pedro sentiu uma dor terrível em seu interior. Como que um tremor percorreu sua mente e ele sentiu vontade de morrer, desaparecer... se sentiu indigno de estar ali.
- É verdade, eu errei muito...
- E não buscou sua salvação... não se arrependeu e não buscou o perdão do Senhor Jesus Cristo.
- Eu me arrependo agora – explicou Pedro ao sentir o desespero se apoderar de seu ser. Como poderia estar num lugar impossível de explicar de tão belo e ainda se sentir assim?
- Se você estivesse em julgamento, você não seria capaz de se arrepender. Você veria que seu arrependimento seria impossível de te salvar das trevas... e seu arrependimento neste momento não tem peso para pagar suas dívidas com Deus.
- O que eu devo fazer? Me ajude... estou desesperado.
- Desde o início dos tempos, Deus, ao pensar em você, já te escolheu para te dar uma nova chance.
- Chance? O que eu devo fazer para ficar aqui ou ir para o céu?
- Não há o que você possa fazer aqui, Pedro. Aqui é o lugar da verdade.
- Então qual será essa nova chance?
Ao indagar isso, um grande raio rasgou sua visão e ele viu seu corpo inerte cheio de tubos sobre a cama. Ele estava de volta ao hospital e sozinho. O ser havia ido embora e com ele todo aquele “lugar”.
- Meu Deus... – ele suspirou, emocionado. Pedro entendeu tudo imediatamente. Ele iria voltar a viver na Terra. – Não sou digno, mas agradeço seu amor misericordioso...
Ao dizer isso algo como uma nuvem surgiu acima de Pedro e ele a olhou um pouco assustado, porque aquilo era nefasto e parecia cheio de ódio.
- Ele não merece isso. Não é justo ele ter outra chance. Deveria ser levado para o inferno.
Pedro se encheu de medo e buscou a ajuda de Deus com a força do intimo do seu ser.
- Vou me afastar, como ordenado a mim agora. Mas nesse mundo de onde você veio, vou te perseguir para que não consiga cumprir o plano de Deus, eu juro.
Ao dizer isso, a presença enjoativa desapareceu e Pedro percebeu interiormente que a presença cheia de ódio se foi por ordem de Deus, por ele ter recorrido à ajuda de Deus.
- Eu quero voltar, eu preciso voltar, não há nada mais justo, meu Deus.
Ao dizer isso Pedro sofreu um solavanco tão repentino e intenso que pôde ouvir um estrondo tão forte e amedrontador que jamais quis ouvir aquilo novamente. E ele foi se aproximando devagar até o corpo inerte na cama, e chegou tão próximo que pôde observar até os pelos da sua pele fria. Ele não sabia o que fazer em seguida, como voltar, até que sofreu outro solavanco intenso seguido do mesmo estrondo e tudo se apagou.

Pedro ouviu de novo o mesmo estrondo amedrontador e esse barulho o fez acordar. Ao abrir os olhos os aparelhos apitaram, e ele se deu conta de que estava de volta no corpo. Olhou do lado e viu um médico e uma enfermeira se aproximando.
- Ele acordou... – disse a enfermeira. E Pedro sentiu enjôo ao ouvir a voz dessa senhora. Como aquilo não tinha nenhuma comparação com aquilo que viveu segundos atrás! A voz dela era tão feia!
- Devemos avisar a família.
- Eu achei que ele não acordaria – continuou a enfermeira. – Era um caso muito complicado.
- Exatamente – enfatizou o medico. – Depois de ser dado com morte encefálica, horas depois um sinal de vida encefálica foi encontrada pelo Dr. Cezar. Quase foi feito um grande erro nesse paciente.
- E já estava em coma há seis semanas... eu achei que este não voltava, doutor.
Pedro ficou intrigado. Já tinha se passado seis semanas desde o dia do acidente! E parece que viveu apenas 10 minutos enquanto morto e já em seguida acordara.
A família foi chamada. Pedro voltou para casa um mês depois com algumas fraturas e ficou fazendo fisioterapia durante um ano. O mais incrível era que não tinha ficado nenhum tipo de seqüela neural apesar de ter perdido massa encefálica.
Pedro deixou sua vida de traição do lado e tornou-se ainda mais um bom pai e um ótimo esposo. Abriu um abrigo para mendigos, e começou a freqüentar um grupo de oração de sua igreja e tornou-se um grande pregador, viajando pelo país afora para anunciar o que tinha vivido.

Pedro estava se apaixonando por sua nova casa, em outra cidade, para onde levara toda sua família. Era pequena, mas muito aconchegante. Ficava perto de uma capela para onde ia sempre que podia para fazer suas orações.
Já fazia quase dez anos desde o dia do acidente e da experiência denominada pelos psicólogos e médicos de EQM (Experiência Quase Morte). Hoje, após esses anos, ele estava mudado. Não era mais aquele homem que não se importava tanto com a mulher e com os filhos. Estava mais feliz e menos propenso a desistir das coisas que faziam bem à sua família.
Depois do EQM ele se tornou outro homem. Sua esposa se surpreendeu, seus vizinhos, seus companheiros de trabalho, seus pais. Ele não era o mesmo. Ainda que fosse antes um homem bom, agora é um homem muito melhor.
Caminhava para a igreja todas as vezes que era solicitado. Tornou-se um missionário e sempre anunciava Deus e a experiência que teve por toda parte. Subia no púlpito e falava durante uma hora sobre Deus e sobre o que Deus fez por ele.
Num dia que ia para casa, vindo do trabalho, Pedro viu algo que parecia ser a mesma nuvem que vira na experiência. Os pelos de sua pele se eriçaram e ele freou abruptamente, enquanto seu coração parecia subir até seu pescoço. Quando olhou de volta para o lugar onde a nuvem estava, nada havia lá. Chegando em casa, ojoelhou-se  e pediu a Deus que o livrasse do mal. Desse dia em diante ele começou o calvário da sua vida.
Seis meses depois, um de seus filhos caiu doente e ficou de cama durante praticamente um ano, entre indas e vindas entre sua casa e o hospital.  Ele teve medo de perder seu amado filho. Mas, de repente, num domingo de manhã tudo passou. O jovem acordou como se nada tivesse e sentiu-se sadio como nunca.
Após isso, sua esposa caiu doente de depressão e síndrome do pânico e ele esteve do lado dela durante os anos seguintes, enquanto ela lutava contra essa doença, até que ela se curou.
Após a depressão de sua esposa, Pedro percebeu que era a luta que lhe prometera aquele ser nefasto no dia da EQM. E sabia, em seu coração, que era apenas o começo.
No dia do aniversario de 13 anos do acidente, Pedro dormia em sua casa sozinho quando, aparentemente, um curto elétrico incendiou a cozinha até que se espalhou pela casa. Pedro acordou com o calor das chamas já atingindo o corredor que dava para seu quarto. Salvou-se por pouco, pulando pela janela do quarto. Neste incêndio queimou-se o computador que continha o livro que estava escrevendo sobre a experiência de quase morte que teve.
Ele perdeu tudo e o seguro não cobriu tudo o que possuía. Sem saber para onde ir, Pedro alugou uma minúscula casa onde foram sua família e ele morarem. Sua comunidade o ajudou com móveis novos.
No mês seguinte após esse acontecimento, o pai de Pedro faleceu de AVC enquanto estava sozinho num quarto de hotel, em outro estado, a trabalho. Ficaram sabendo dois dias depois quando o encontraram morto.
Pedro se sentiu perdido em meio a tantos problemas e sentia-se esgotado, e por fim sentiu-se desanimado. No meio desse desânimo, encontrou-se sozinho, sem ser entendido por ninguém, nem por sua família. Estava no momento crucial de sua vida e ninguém parecia estar do seu lado, nem as pessoas que mais amava. Caiu numa depressão e ficou doente fisicamente com problemas de coluna e de coração.
Passou a viver assim durante mais alguns anos, entre momentos de luta contra depressão e a dor dos problemas à sua volta. Teve que passar por duas cirurgias na coluna e teve que se afastar do trabalho temporariamente, porém Pedro não se afastou de Deus e continuava sua missão mesmo em meio a tantos problemas.
Num dia em que estava em casa, sofreu um enfarto fulminante e morreu sem mesmo conseguir se levantar da poltrona para pedir ajuda. O fim de sua missão neste mundo foi assim: sentado numa poltrona enquanto tirava um cochilo num domingo à tarde, depois de voltar de um retiro espiritual no qual pregara.

Pedro estava dormindo quando sentiu como que uma eletricidade passando por seu corpo e logo em seguida uma dor aguda e terrível em seu peito. O corpo perdeu os sentidos e ele acordou sem ar. Não conseguiu mexer nada no corpo e ficou ali estirado sem conseguir falar ou mesmo levantar a mão. Foram alguns segundos de dor, e logo em seguida sentiu uma paz tomar conta da sua sala, apesar da dor. Aquela paz não era algo, parecia ter vida, ter existência própria. Era como que um perfume invadindo todo o ambiente e até seu ser. Essa paz misturou-se com sua dor e ele sentiu-a como que desaparecendo, apesar de ainda estar ali e essa dor parecia tornar-se uma benção ao invés de algo terrível. Essa dor era o chamado de volta para casa.
Depois disso seu corpo pareceu adormecer, começando dos braços e percorrendo vagarosamente todo o corpo. Olhou à sua volta e não encontrou ninguém. Estava sozinho, mas a paz que tinha vida estava com ele, não somente ao seu lado, mas dentro dele; e Pedro nunca mais queria deixar de sentir aquela paz.
Um trovão, como o já ouvido anos atrás, ressoou à sua volta e ele sentiu-se elevado acima de seu corpo, mas sentia-se milhares de vezes mais leve que anos atrás; e livre. Um senso de liberdade e imensidão tomou conta de sua vida íntima que ele não conseguiu nem entender, nem imaginar que isso existisse, nem nos seus maiores sonhos, nem que sonhasse por cem milhões de anos. Era incrivelmente infinito e perfeito. E a paz continuava a aumentar gradativamente...
Pedro não sentiu medo, como da outra vez. Não sabia exatamente o que aconteceria em seguida, mas sabia interiormente que seria algo que ele não conseguiria imaginar jamais. Tudo isso havia acontecido em menos de um minuto, mas ele sentiu como se fossem horas. Não queria que passasse essa sensação nunca mais, e se fosse possível, faria qualquer coisa para que jamais passasse.
Estou morto – foi o que pensou imediatamente. Mas, até quando? – Ele sentia-se muito mais vivo que jamais sentira e em seu interior teve a certeza que a morte não existe. Sentia-se muito mais vivo, imortal, cheio de saúde, de equilíbrio e leveza.
Tudo isso acontecia ali, enquanto estava naquela sala, ao lado de seu corpo inerte. Pedro olhava seu corpo e não sentia saudades dele, apenas o olhou como quem deixa de lado uma roupa suja e que precisa ainda ser lavada.
Nesse instante alguma coisa chamou sua atenção para o outro lado da rua, através da janela, e viu alguém vindo em sua direção, sem tocar o solo, atravessando a parede à sua frente.
Quando notou a presença dessa pessoa, ele tremeu inteiramente e seu ser foi tomado de uma alegria que não sonhava existir. Achou que fosse morrer por tamanho contentamento e efusão.
Aquele ser extremamente belo e poderoso vindo em sua direção o encheu de um arroubamento de alegria que ele mal pôde se conter, por isso procurou ir também ao encontro daquela pessoa, e quanto mais próximo chegava, mais achava que iria estourar de tanta felicidade.
- Pedro, eu vim te buscar.
Ao chegar ao seu ser o que dizia aquela pessoa, ele entrou num êxtase de paz e felicidade.
- Você é Deus?
Eles não conversavam entre si audivelmente, mas de uma forma totalmente nova para Pedro. Era algo desconhecido, uma comunicação que Pedro jamais imaginava que seria possível existir, um meio infinitamente superior ao meio utilizado na Terra, entre os seres. Mesmo quando teve a experiência anos atrás, a comunicação entre eles não era algo como o que estava tendo agora, nem de longe. Essa comunicação era algo infinitamente mais poderoso e eficaz do que o da Terra.
Pedro, ao contemplar o ser, imaginou imediatamente que ele era Deus. Aquela pessoa era totalmente diferente do que os seres da Terra, não tinha nada físico, mas tinha um corpo totalmente espiritual, com uma beleza que não podia ser comparado a nada que Pedro conhecia anteriormente, com um esplendor e beleza estonteante, elevado ao máximo que podia ser elevado uma beleza.
- Não sou.
Pedro ficou mais admirado ainda por saber que aquela pessoa não era Deus. Como não seria com tamanho esplendor e gloria em si, tamanho poder e felicidade que emanava dele?
- Sou apenas embaixador de Deus. Venho em Nome de Deus para te acompanhar até a eternidade.
- E onde está o meu Deus?
- Em todo lugar... mas vou te levar até Ele logo que me for permitido.
Pedro queria saber quem ele era, por quê era assim tão belo e cheio de esplendor, muito mais do que Pedro vira antes.
- Sou criatura. Sou assim por não ter deixado o Paraíso no tempo da desobediência.
Imediatamente Pedro entendeu do que ele falava. Falava da desobediência de Lúcifer.
- Não abandonei meu trono de glória e fui chamado a estar mais perto ainda de Deus. Por isso minha glória. Existem ainda seres muito mais gloriosos que eu.
Pedro ficava cada vez mais admirado.
- E Deus?
- Quando O vires, com certeza desaparecerás se Deus não der a você a capacidade de contemplá-Lo. Logo O verás...
- E Ele me dará essa capacidade? – questionou Pedro.
- Sim, te dará.
Pedro desejou ardentemente ver a Deus e saber como Ele é, mesmo que desaparecesse ao contemplá-Lo.
E Pedro está a ponto de contemplá-Lo, como todo ser humano irá um dia fazer. Mas será muito além do que Pedro sequer imaginou ou seria capaz de imaginar.

Pedro desejou ardentemente ver a Deus e saber como Ele é, mesmo que desaparecesse ao contemplá-Lo.
E Pedro está a ponto de contemplá-Lo, como todo ser humano irá um dia fazer. Mas será muito além do que Pedro sequer imaginou ou seria capaz de imaginar.

O ser glorioso bem à sua frente o fazia exultante como jamais imaginou que estaria em toda sua vida.
- Esteja preparado para encontrar-se com Deus! – disse-lhe o ser.
Ao ouvir isso Pedro sentiu-se “apavorado” pela primeira vez. Um temor que ele jamais sentira invadiu seu ser. Um temor por estar diante de Deus, ele um ser humano.
- Você está preparado? – continuou o ser.
- Não.
- Pois devia. Você teve a vida toda para isto. Já devia estar preparado...
Uma grande luz jamais vista por Pedro invadiu todo o ambiente e seu corpo desapareceu diante dele, e também sua casa. E, de repente, sem aviso, Pedro sentiu-se literalmente arrastado por aquele ser para fora do planeta Terra, até que parou acima do globo, e Pedro pôde contemplar toda a Terra azul, na sua beleza singular.
- Este é seu antigo lar – explicou o ser.
Pedro concordou em seu coração.
- Esteja preparado para viajar – explicou o ser.
E, num ímpeto violentíssimo, Pedro sentiu-se arrebatado numa velocidade pelo espaço sideral, tão rápido que não conseguia ver por onde estava passando e para onde estava indo. O ser à sua frente o levava pela velocidade do pensamento... e Pedro percebeu que tinha ultrapassado qualquer velocidade física imaginada.
Tudo parou quando ouviu um grande silêncio invadindo tudo ao seu redor. Pedro pôde olhar ao seu redor e notou que não estava em lugar algum, e sentiu um temor reverencial em sua alma. Nisso, diante de si, como se já estivesse ali bem diante de Pedro a vida toda, apareceu a Pessoa mais linda e perfeita que Pedro jamais imaginara. Pedro sentiu-se arrebatado de amor e doçura, num êxtase de paz e quietude muito maior do que teve quando viu o ser que o visitou no momento de sua morte.
Diante de si, Pedro não teve dúvida de quem o visitava; a Pessoa o iluminou com sua Presença e ele não teve dúvida: era Jesus.
O Homem à sua frente tinha uma glória infinita. Seu Corpo humano era de uma beleza jamais vista em toda a Terra, do qual fluía uma luz que não era luz natural, mas um esplendor de pureza infinitamente superior ao da Terra. A luz que Ele emitia fazia a luz da Terra ser impura e escura.
Pedro não conseguia tirar o olhar do Homem. Parecia não haver mais nada no universo, só eles dois. Dois homens. Um só coração.
Um temor percorreu todo o espírito de Pedro e ele, totalmente apaixonado por aquele Homem, trocaria toda sua vida por Ele. Preferiria morrer cem mil vezes com as mortes mais horripilantes a perder um só segundo da companhia mais maravilhosa e confortante do universo.
Pedro notou que o Corpo do Homem estava ferido: seus pulsos furados, os pés atravessados, o lado aberto. Quando voltou seu olhar para sua Face, ele viu que sua cabeça estava rodeada por uma coroa de espinhos. Ao contemplar isso, Pedro sentiu um terror penetrar seu ser que pensou que iria desaparecer.  E diante de si viu abrir toda sua vida num só segundo. Contemplou todas as pessoas que conheceu em vida, as que afetou direta e indiretamente, e desfilou diante de si todos os seus atos, mesmo os mais minúsculos até os maiores, e como isso afetou a vida de todos os seres humanos que existem e que viriam a existir.
Ele viu o estrago que provocaram seus atos egoístas na vida humana presente e nas gerações futuras e pôde pesar cada pensamento, cada palavra dita, cada ação sua diante da verdade e do amor. Pedro pesou minuciosamente cada segundo da sua vida e pôde analisar sob o prisma do amor e da verdade cada ato e pensamento, cada omissão e desleixo. Diante de sua visão tudo isso ocorreu em um só segundo, e Pedro ficou consternado e preferiu morrer e sofrer todos os tormentos do mundo a voltar a cometer o menor ato de desleixo. O que mais lhe doeu foi que ele viu uma senhora, setenta anos depois de sua morte, que foi maltratada durante muito tempo pelo marido e um dia sofreu um traumatismo craniano por causa de um mau exemplo que Pedro deu ao seu filho mais novo e seu filho transmitiu ao seu filho, e este seu neto comentou com um colega do trabalho que acabou seguindo o exemplo, levando a maldade até sua esposa. Pedro viu também o que seus bons atos fizeram aos que conhecia e às gerações futuras, e em sua consciência tudo isso foi envolto com a justiça divina.
Depois de contemplar sua vida, o Homem olhou profundamente para Pedro e envolto de um sentimento infinito de humildade, Pedro viu toda a vida de Jesus na Terra, desde o momento do nascimento até o ultimo segundo de sua vida. Cada palavra, cada gesto, cada pensamento humano de Jesus, cada sacrifício que Ele fez... tudo era cheio de amor e verdade. Ele não viu um único ato de egoísmo ou mesmo desleixo e desobediência. Diante dessa graça, Pedro achou que não seria capaz de suportar mais nada, pois ao ver tudo o que Jesus fez, sem um único ato de egoísmo ou mentira, sem errar em nada, uma onda de assombrosa gratidão invadiu todo o ser de Pedro.
Ao mesmo tempo que tudo isso acontecia, algo aterrorizante ocorreu. Pedro sentiu-se inevitavelmente impelido a comparar sua vida com a vida terrestre de Jesus. Foi o momento mais amedrontador da vida de Pedro. Suas ações não tinham peso algum diante dos atos de Jesus, e sua imperfeição em todas as coisas era evidente. Ele sentiu-se impotente e indigno de ao menos existir.
A partir desse instante, ele não conseguiu olhar para aquele Homem face a face.
- Pai, eu não mereço existir.
Nesse instante, Pedro sentiu-se envolvido de um amor e perdão que o fez ainda mais se sentir indigno de ao menos pensar diante de Jesus.
- Eu sei que você não merece, Pedro. Mas Eu te escolhi, e você me escolheu no mundo, ao invés de escolher o mundo. Não podemos viver longe um do outro, Pedro. Nós nos amamos.
Ao ouvir isso, a alma de Pedro foi penetrada de uma elevadíssima disposição e afeto infinito pelo Homem. Um som indizível e inefável percorreu todo o universo, e Pedro deslumbrou por um segundo tudo o que o esperava no Paraíso. Uma multidão incontável de seres humanos estava lá num arroubo de amor e vida; um mar sem fim de espíritos angelicais cantava num êxtase um cântico jamais ouvido. Foi tudo o que pôde ver.
As palavras do Mestre Humano penetraram a alma de Pedro e ele quis morrer de amor.
- Tudo isto te espera, Pedro, meu amado amigo, e muito mais. Ainda não te posso mostrar minha divindade, somente quando você estiver preparado.
- Não posso ir para lá ainda, meu Deus. Eu não sobreviveria lá.
Foi o único momento que Pedro viu o Homem sorrir, e foi nesse momento que ele voltou a olhar Jesus. Ele não estava mais com a coroa e isso demonstrava que o julgamento tinha chegado ao fim.
Nesse momento Pedro sentiu uma grande onda de um conhecimento divino de muitas coisas invadir sua mente. Ele viu todas as pessoas que dependiam dele na Terra e o que podia fazer para ajudá-los. Viu o que ele deveria fazer para estar preparado para o Reino eterno e o que aconteceria a ele após estar preparado. Pedro entendeu todos os planos de Deus para sua vida e nada lhe ficou oculto. Ao saber o que Deus lhe reservava, Pedro voltou para o Homem.
- Mande-me para onde quiseres, meu Deus amado. Eu mereço e quero te agradar em tudo.
- Tudo está consumado! – disse uma voz que cortou o universo. Uma voz poderosa, amável, doce e cheia de uma beleza ímpar. E Pedro soube que era a voz inigualável do Filho de Deus.
O Filho do homem deixou-o e o embaixador apareceu de novo e o arrebatou até uma multidão incontável cheia de amor e fidelidade a Deus. Quando postou-se ali no meio daquela multidão, Pedro sentiu o amor de Deus invadir seu ser e queimar em sua alma, pelo fogo da verdade e da justiça, todas as penas que mereciam os atos de Pedro. A lembrança da presença de Jesus e da alegria celeste estava na alma de Pedro e ele aceitou estar ali porque sabia que não ficaria ali para sempre e por que suas ações más mereciam tal estado. Deus o esperava.
E Pedro deixou o poder do amor divino preparar sua essência para se tornar capaz de entrar naquele estado de vida divina... e logo Pedro estaria preparado.

tt 



segunda-feira, 14 de maio de 2012

RCC E SUAS POLÊMICAS

Luiz Fernando Gomes Vitor pergunta:

“Anderson , desde quando eu comecei minha caminhada na Igreja
eu tive muitos colegas que condenavam a Renovação Carismatic e diziam que era tudo falso demais , os servos , a oração em línguas , o repouso no espírito, etc. ; que era uma verdadeira heresia, que eles eram modernistas sobre ficar batendo palmas na missa, levantando os braços,  etc.
Ai eu to muito confuso ultimamente:
Porque todos os movimentos e dioceses da Igreja são da renovação mas eai ??
 É certo bater palmas ? Existe Repouso no Espírito Santo ?? Existe Oração em Linguas ?”


Caro amigo Luiz Fernando:

Antes de tudo tenho que dizer que a Igreja é o Corpo de Cristo. Lembremos bem disso. Por isso, ir contra a Igreja é ir contra Cristo. O que a Igreja diz é o que Cristo diz que é, porque a Igreja fala na Pessoa de Cristo. É Jesus falando. É Jesus agindo. É Jesus no meio do mundo. Por isso a Igreja em tudo precisa ser ouvida e seguida para que se possa encontrar o Caminho, porque a Igreja, enquanto Corpo de Cristo, ela mesmo (unido à Cabeça que é o Senhor Jesus) é o Caminho. É um dos mistérios da nossa Fé.
Por que começo dizendo isto? Porque tenho que lembrar que mais importante que qualquer corrente de pensamento, ideia ou ideologia é o que pensa a Igreja. Opor-se à Igreja é opor-se a Jesus. Opor-se ao ensinamento da Igreja é opor-se ao ensinamento de Jesus. O mesmo Espírito Santo que, na Terra, habitava a humanidade de Jesus é o mesmo que habita a Igreja, seu Corpo.
Agora, depois de esclarecido isto, a minha resposta à sua pergunta terá mais sentido.

A Renovação Carismática Católica é um movimento como outros movimentos que alguns membros do Corpo de Cristo, isto é, a Igreja, participam. Nada mais que isto. Nada menos que isto.
É, sim, um movimento aceito pela Igreja e acompanhado por bispos e Cardeais no mundo todo. Assim como outros movimentos dentro da Igreja são também aceitos. Disso ninguém pode duvidar. O papa João Paulo II foi grande incentivador desse movimento. Até mesmo o atual Papa Bento XVI, quando cardeal, participou algumas vezes de encontros da Renovação Carismática Católica realizados na Itália. Até mesmo deu um pronunciamento em um dos encontros em que o falecido e mundialmente conhecido padre Emiliano Tardiff estava pregando.
Agora temos que levar em conta que os membros de um movimento, só eles, sozinhos, não são Igreja. Um movimento só pode ser Igreja quando está completamente em obediência ao Bispo, e principalmente (e totalmente unido) ao Magistério e ao Papa. E mesmo que esteja unido de forma eclesial ao Magistério, esse movimento não pode, dentro da Igreja, falar no lugar de Jesus, ou seja, substituindo a voz do Magistério da Igreja. Por quê? porque somente o Papa tem a infalibilidade a respeito da Fé. Só o Papa tem o ensinamento correto e verdadeiro sobre os assuntos da Fé. Por isso, nenhuma pessoa isolada, grupo ou movimento tem o poder de interpretar corretamente a Sagrada Escritura ou dar o parecer devidamente acertado a respeito de um assunto que somente o Papa pode dar.
Então, a Renovação Carismática Católica é apenas um movimento dentro da Igreja. Não é maior ou menor que qualquer outro movimento aceito pela Igreja e jamais pode falar por si ou no lugar da Igreja e do Papa. Ela somente fala “no lugar” da Igreja quando falar o que a Igreja ensina.
É este, por justiça, o lugar da RCC – e também dos outros movimentos ou grupos dentro da Igreja, ou mesmo de uma pessoa isolada. Seu ensinamento só é de Deus se ela fala o que a Igreja ensina.
Se perguntarem ao Papa se há erros dentro da RCC, ele com certeza dirá que sim. Se perguntarem ao Papa se há a ação de Deus dentro da RCC, ele com certeza dirá que sim. O que isso quer dizer? Quer dizer que a RCC é um movimento cheio de pecadores, mas que, apesar de erros de seus membros, é um movimento útil a Deus, como instrumento para santificação das almas, como um movimento servo da Igreja.
E o que podemos dizer dos dons carismáticos? Bem, isto já é um assunto mais peculiar dentro da RCC, mais que em outros movimentos. Mas vou dizer o que é o parecer da Igreja e não o meu.
Os carismas existem e são verdadeiros. A prova disso são as manifestações especiais nas vidas dos santos da Igreja. Não é uma coisa somente do passado, somente da Igreja nascente, mas é uma manifestação que em todos os tempos sempre acompanhou a Igreja. Segundo o que diz os documentos da Igreja, os carismas são manifestações evidentes do Espírito Santo, são reais e sempre presentes na vida da Igreja.
O problema é: o que é um carisma verdadeiro ou somente uma manifestação psicológica ou pior, demoníaca? Isto somente a Igreja pode responder. O fato é que há carismas verdadeiros e há os pseudocarismas. E temos outro fator importante: não é fácil identificar. Somente os anos e a experiência podem provar se aquela manifestação é ou não um carisma verdadeiro. Uma das grandes provas de que um carisma é verdadeiro é que ele sempre levará à santidade e à comunhão da Igreja.
Agora o que dizer? A verdade é que na RCC existem carismas verdadeiramente do Espírito Santo e há manifestações que não são.
A oração em línguas, as profecias, as curas, os milagres, dentre outros carismas, que são tão evidentes na RCC podem ser do Espírito Santo. Podem. Alguns são, outros não. Esta é a verdade. É isto que a Igreja diz sobre as manifestações particulares ocorridas dentro da Igreja, o que inclui com certeza as que ocorrem na RCC.
E o que fazer? Usar sempre da cautela que a Igreja sempre usa em todos casos. Os frutos o provarão: o aumento da fé, da caridade, da obediência à Igreja, a santificação, etc., e isto requer tempo.
Quanto ao famoso repouso no espírito há ainda um elevado estudo sobre o assunto. A CNBB advertiu em um documento direcionado exclusivamente à RCC para evitar a prática do repouso, isto é, como não se sabe se é uma manifestação do Espírito Santo, é melhor evitar a prática.
Mas a quê os Bispos do Brasil se referem sobre praticar o repouso no espírito? Eles se referem a algumas pessoas que rezam sobre as outras procurando levá-las a cair no repouso. É a isto que os Bispos se referem. O Cardeal Suenens, também membro da RCC, ele que acompanha de perto a RCC há anos a pedido do Vaticano, escreveu um livro sobre o assunto, e em seu livro ele concorda com a CNBB. Portanto, em obediência aos Bispos deve-se evitar rezar para que uma pessoa caia no repouso. Entretanto, segundo o Cardeal Suenens, se esta queda ocorrer sozinha, aí a coisa é diferente. Por exemplo: se durante um louvor ou uma oração particular uma ou mais pessoas caírem sem que fossem motivadas a isto, a coisa já tem outro parecer. Ninguém procurou isto, ninguém rezou por elas para que isso ocorresse. Simplesmente ocorreu. Entretanto, mesmo assim, se a queda ocorrer, isto não quer dizer ainda (que fique dito!) que se trata de uma manifestação divina. Somente os frutos o dirão.
Por isso, aqueles que querem obedecer a Deus, devem obedecer ao Corpo de Cristo, e em se tratando do repouso no espírito, deixemos que a Igreja dê seu parecer final (que ainda não veio, que fique bem claro) sobre esse fenômeno. Enquanto isto, aguardemos pacientemente a vontade de Deus.
E para finalizar sobre o assunto dos carismas é bom evidenciar que os dons carismáticos não são necessários exatamente para nossa salvação. Sem eles, podemos nos santificar e nos salvar. Eles apenas, quando verdadeiros, podem servir para aumentar a Fé, mas não são exatamente necessários para isso. A salvação nós a alcançamos pelos Sacramentos da Igreja, onde Jesus ministra a nós as graças necessárias para alcançarmos a vida eterna. Não precisamos de outros meios. Os carismas são apenas uma força a mais para que esse caminho seja trilhado.
Sobre as palmas e danças tão frequentes na RCC, o Papa Bento XVI vem pedindo veementemente que não se façam presentes na Santa Missa. Por quê? porque não se deve mudar nunca (nunca!) o Ritual da Sagrada Missa. A Missa por si só já é mais que suficiente. Não precisa de acréscimos. Isto é o que vem ensinando o Papa Bento XVI, fazendo eco ao Beato João Paulo II e aos demais Sucessores de Pedro. Só isto. É esta a orientação básica sobre esses assuntos. Se isto é feito com o devido respeito nos Grupos de Oração e encontros não há motivo para que se deixe de fazer, contanto que isto sirva para levar os participantes a um encontro com a Pessoa do Espírito Santo. Mas, vale lembrar que também não são necessários para uma oração nem a dança nem as palmas. Elas devem ser apenas auxiliares, quando forem necessárias, para se alcançar uma entrega à oração e ao louvor.
O próprio Pe. Robert DeGrandis (integrante da RCC desde o começo do movimento, mundialmente conhecido) escreve em seus livros que louvar a Deus de maneira a atingir um verdadeiro louvor não tem a ver com palmas e danças. Segundo ele, às vezes podem até atrapalhar o louvor e a entrega. Por isso, deve-se utilizar esses meios somente se eles forem necessários.
Bem, espero ter esclarecido suas dúvidas e com isto as dos demais leitores.

Forte abraço em Cristo.

tt

sábado, 24 de março de 2012

O DRAMA DA CONVERSÃO

Conversão é uma palavra muito forte. É dar meia volta, voltar atrás, mudar de direção. Contudo, na Palavra de Deus, a conversão sempre teve uma forte conotação interior. A pessoa que se convertia não mudava somente a direção, mas mudava a mentalidade, mudava o coração. Portanto a conversão cristã não é algo superficial, é algo profundamente íntimo.
E mais: a conversão cristã não é simplesmente uma mudança de atos, de pensamentos, mas uma purificação interior.
A minha batalha interior é para matar o que em mim está me desfigurando, o que em mim não é divino. Sim, isso mesmo. A conversão realizada em mim é para me deixar mais semelhante a Deus.

Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito. (São Mateus 5, 48)

Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.
(São Lucas 6, 36)

Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. (I São João 3, 2)



A conversão que todo cristão deve buscar é para tornar-se parecido com Deus, com os mesmo pensamentos de Deus, com os mesmos sentimentos de Deus, com os os mesmos propósitos e atitudes de Deus.

Sou criatura, não sou deus, nem sou manifestação da divindade de Deus, como se fosse uma partícula de Deus, porém, com o Sacramento do Batismo, a Graça de Deus se manifesta em mim de tal forma que me faz participar da filiação divina de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. Pelo Batismo nós entramos no Mistério da Santíssima Trindade, pelos méritos da Vida, da Morte e Ressurreição de Nosso Jesus.

“Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra-te de que Cabeça e de que corpo és membro. Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas e levado para o Reino de Deus. Pelo sacramento do batismo, te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande hóspede, não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço da tua salvação é o sangue de Cristo” (São Leão Magno, Papa e Doutor da Igreja, que viveu no século V).

Com o desvio da nossa vida, com as desobediências à Ordem de Deus, vamos nos tornando mais animalescos e menos semelhantes  a Ele. O pecado mascara quem somos e nos retira da condição de herdeiros do Reino de Deus, porque, através de Nosso Senhor Jesus, somos herdeiros das Promessas Divinas, promessas essas que nos garantem a Vida e a Comunhão da Santíssima Trindade nos Céus. O pecado nos faz perder essa Condição de herdeiros, e ficamos como sem a Herança do Céu, prometida a nós por Nosso Senhor.
Por isso é preciso converter-se continuamente a Deus. Continuamente, até o segundo último de nossa vida.
A Ordem do Espírito Santo é que nos tornemos semelhante a Deus. Mas, como?
Pelo mesmo Espírito Santo.

“Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.”
(Romanos 8, 14)

Como se vê é pelo Espírito Santo, pela condução do Senhor, que nos tornamos filhos de Deus. A conversão verdadeira, então, vem pelo Autor da Graça, isto é, Deus mesmo. É Ele que converte verdadeiramente o coração e o vai transformando, moldando segundo seus eternos desígnios de misericórdia.
Então, eu não devo fazer nada? – voce deve ter-se perguntado agora. Devo dizer com certeza que sim. A conversão não vem como um passe de mágica, a sua transformação interior, sua “elevação ao Trono de Deus”, como filho pela graça, por Jesus Cristo, o Filho por natureza, vem através de uma contínua entrega ao Espírito de Deus, em obediência, amor e graça.
E entregar-se ao Espírito Santo, para por Ele sermos conduzidos requer uma morte aos desejos contrários ao Espírito Santo.
Assim, surge a grande batalha interior.
Por causa do pecado orginial de nossos primeiros pais (Adão e Eva) perdemos a Comunhão com Deus, e pelo Batismo, essa Comunhão é restaurada, contudo, nós ainda sofremos os efeitos desse pecado, dessa desobediência de Adão: o egoísmo, a soberba, a tendência pela desobediência, o desejo por coisas baixas, a escravidão diante das coisas e dos seres, a fraqueza, a impeferfeição, isto é, somos escravizados pela nossa natureza física, e o pior, com o pecado nos tornamos escravos do diabo. Sem o pecado original não seria assim.
Por isso, nossa carne não quer obedecer ao Espírito Santo, porém, para sermos filhos Deus, temos que ser conduzidos pelo Espírito de Deus, e para sermos conduzidos pelo Espírito Santo temos que obedecê-Lo.
 Aí, então, surge um grande problema. A nossa carne desobediente não quer obedecer, mas precisamos obedecer. Surge então a guerra entre o espírito humano e o Espírito divino. Preciso me entregar, mas minha carne não quer.
No meio dessa guerra, eu preciso com convicção tomar as rédeas da minha vida e entregá-las ao Espírito Santo.  Mas, para fazer isso preciso “me matar” aos poucos, ir matando minha vontade egoísta e orgulhosa, minha mente desobediente, meus desejos por coisas vãs e baixas, ir destruindo em mim o que a Palavra de Deus chama de homem velho (Efésios 4, 22), ir sufocando essas tendências maléficas, esses aspectos de morte, aspectos de um homem idoso, caminhando para a morte, trôpego, inválido. E como se faz isso?
Pela oração e sacrifícios.
Quando me refiro à Oração não só me refiro à oração pessoal (o que é de suma importância), mas também a participar da Oração da Igreja, isto é, da Oração que a Igreja faz para perdoar nossos pecados e nos trazer a Redenção: a Confissão e a Missa.
Quando me refiro a Sacrifícios, refiro-me a oferecer a Deus os sofrimentos cotidianos como oferta de reparação pelos nossos pecados, a jejuar e praticar a abstinência de comida e a sacrificar nossos prazeres com sobriedade,  e ir dessa forma enfraquecendo os desejos de superioridade em nós, aspectos claros de uma humanidade corrompida, caída e desobediente e que não sente desejo por ser amada por Deus e amar a Deus.
Dessa forma, nos entregando continuamente ao Espírito Santo, pela oração e sacrifícios diários, vamos nos deixando ser formados e “divinizados” por esse mesmo Senhor à imagem e semelhança de Deus, como era no princípio, e assim no final de nossa vida o Céu se abrirá para nós, para contemplarmos e vivermos eternamente imersos no Amor Eterno e Infinito.
É esse o Caminho do Amor, nos entregarmos a Ele, por Ele e com Ele.

A Jesus, a Sabedoria de Deus, a glória e a nós a Misericórdia!

tt



quinta-feira, 15 de março de 2012

SÃO JOSÉ, PATRONO DA IGREJA

Dia 19 de março é dia de São José, Pai adotivo de Jesus. 

São José é Patrono da Igreja, que é o Corpo de Cristo.

Homem escolhido por Deus para O representar para o Menino Jesus.

São José foi chamado por Cristo de Pai. Ele representou o Pai do Céu para Jesus.

Patrono da Igreja, servo fiel do Altíssimo, assim como Abraão escolhido por Deus para ser pai de Israel, assim São José foi escolhido como Patrono do Corpo de Jesus, isto é, a Igreja. 

Deus chamou um único homem de Pai: São José.

Roguemos a ele pela Igreja e pelo mundo.

 

Oração a Maria Santíssima

Amabilíssima Mãe minha; Gostais tanto de que veneremos a vosso querido esposo São José, acendei mais em meu coração a chama da devoção a tão grande santo, e pela reverencia e amor que lhe tens, vos suplico me alcanceis de vosso divino Filho o perdão de meus pecados e a graça que necessito para minha salvação; favor que espero não me negareis pondo por medianeiro a meu patrono e advogado São José. Amém.

Oração a São José

Gloriosíssimo patriarca São José, digníssimo esposo da Mãe de Deus, pai adotivo de nosso adorável Redentor e poderosíssimo advogado nosso em toda tribulação, em toda necessidade e em todo perigo: vos elejo por meu patrono e advogado para toda minha vida e para minha morte.
Vos peço humilde e com toda minha alma que me recebais, santo meu, por perpétuo servo e escravo vosso, e que com vosso poderoso valimento me alcanceis a continua proteção de vossa Esposa, a Imaculada Virgem Maria e as misericórdias de meu amantíssimo Jesus.
Assisti-me sempre e abençoai minhas palavras, obras, ações, pensamentos e desejos para que em tudo esteja de acordo com a vontade divina, e assim, servindo-vos constantemente, logre com vosso patrocinio uma feliz morte. Assim seja, Jesus, Maria e José.
Felicitações a São José por seus sete principais privilégios e as felicidades dispensadas pelo Senhor:

Primeiro Privilégio

Vos felicito, glorioso São José, e dou infinitas graças a Deus por ter-vos escolhido para pai adotivo de seu unigênito Filho e para guia do mesmo Jesus e de sua Santíssima Mãe em suas penosas viagens durante sua vida mortal: por esta vossa felicidade, vos suplico que me guiais em minha viagem desta vida a eterna, alcançando-me a graça de purificar minha alma no santo Sacramento da penitência. Assim seja, Jesus, Maria e José.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.
Jesus e Maria, José, Joaquim e Ana, na vida e na morte amparai a minha alma.

Segundo Privilégio

Vos felicito, glorioso São José, e dou infinitas graças a Deus porque vos concedeu favor de guardar da perseguição de Herodes, para beneficio do mundo, a Jesus Cristo , verdadeiro Pão da vida: por esta vossa felicidade vos suplico, que me ajudeis a recebe-lo dignamente com frequencia, e particularmente, antes de morrer, por viático e prenda da vida eterna. Assim seja, Jesus, Maria e José.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.
Jesus e Maria , José, Joaquim e Ana, em vida e em morte amparai a minha alma.

Terceiro Privilégio

Vos felicito, glorioso São José, e dou infinitas graças a Deus, porque vos concedeu a honra de fortalecer-vos e santificar-vos com o frequente contato e o trato íntimo de nosso adorável Redentor: por esta vossa felicidade vos suplico que me alcanceis a graça não morrer sem o auxílio espiritual do Sacramento da Extrema Unção que alivia a enfermidade corporal, se convém, e cura a alma dos pecados. Assim seja, Jesus, Maria e José.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.
Jesus e Maria, José, Joaquim e Ana, na vida e na morte amparai a minha alma.

Quarto Privilégio

Vos felicito, glorioso São José, e dou infinitas graças a Deus porque vos concedeu uma fé vivíssima e constante com que cresteis que era obra do Espírito Santo o fruto de vossa puríssima Esposa: por esta vossa felicidade, vos suplico que me alcanceis a incomparável de viver e morrer com a maior firmeza na santa fé católica. Assim seja, Jesus, Maria e José.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.
Jesus e Maria, José, Joaquim e Ana, na vida e na morte amparai a minha alma.

Quinto Privilégio

Vos felicito, glorioso São José, e dou infinitas graças a Deus por ter vos escolhido para fiel ministro de Jesus e Maria na terra: por esta vossa grande felicidade, vos suplico que me alcanceis a de saber vos imitar, sirvindo fiel e constantemente a Deus e a sua divina Mãe. Assim seja, Jesus, Maria e José.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.
Jesus e Maria, José, Joaquim e Ana, na vida e na morte amparai a minha alma.

Sexto Privilégio

Vos felicito, glorioso São José, e dou infinitas graças a Deus porque vos concedeu a graça de morrer assistido com o maior carinho por Jesus e Maria : por esta vossa inefável felicidade, vos suplico que me alcanceis a de morrer abrasado em amor de Deus e assistido por vossa Imaculada Esposa e por Vós mesmo. Assim seja, Jesus, Maria e José.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.
Jesus e Maria, José, Joaquim e Ana, na vida e na morte amparai a minha alma.

Sétimo Privilégio

Vos felicito, glorioso São José, e dou infinitas graças a Deus pelo privilégio que vós tivestes de ressucitar com Jesus Cristo e subir a eterna glória: por esta vossa honra, vos suplico que me alcanceis a de encontrar-me na hora de minha morte, disposto para merecer, desde aquele momento, o descanso eterno dos santos. Assim seja, Jesus, Maria e José.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.
Jesus e Maria, José, Joaquim e Ana, na vida e na morte amparai a minha alma.

domingo, 11 de março de 2012

RESPOSTA DE PADRE PAULO RICARDO ÀS ACUSAÇÕES

Comunicado


Indicar para um amigo

Queridos irmãos,
Após as recentes manifestações ao redor de minha pregação no dia 20 de fevereiro de 2012, durante o 26º Vinde e Vede, pedi ao senhor Arcebispo para me ausentar de Cuiabá durante esta semana e procurar conselho espiritual e assistência jurídica.
Agora que o senhor Arcebispo se manifestou super partes no sentido de paz e de reconciliação, sinto o dever de comunicar o seguinte:
1) Lamento que as minhas palavras tenham sido mal interpretadas;
2) Penso que seja esclarecedor que as pessoas levem em consideração as circunstâncias da pregação. Aquele dia do encontro era voltado para a espiritualidade do Movimento Sacerdotal Mariano, fundado em 1972 pelo Padre Stefano Gobbi. O áudio de toda a pregação foi postado na internet, link aqui, e nele se pode notar o contexto em que aquelas palavras foram pronunciadas. Note-se, por exemplo, que me incluo sempre entre os padres pecadores e que a finalidade daquelas palavras era levar as pessoas à oração pela santificação dos sacerdotes. É sabido que um dos principais carismas do Movimento Sacerdotal Mariano é a oração pela santificação dos sacerdotes;
3) Sem querer acrescentar uma ferida àquelas já abertas, mas também sem dissimular minha posição, devo atestar que não me reconheço na imagem que foi apresentada de minha pessoa, de meu pensamento e de meu ministério;
4) Reconheço que as pessoas têm o direito de questionar a prudência e a oportunidade de uma pregação como aquela. Não tenho pretensão de estar sempre certo em minhas decisões práticas. Mas continua sendo minha opinião, aberta ao questionamento e à revisão, que seja uma verdadeira caridade para com os fiéis adverti-los para o fato de que a Igreja luta atualmente contra uma crise do clero. Sou da posição que, neste caso, o escândalo do silêncio seria muito maior do que a sincera e honesta admissão do problema, por doloroso que isto seja;
5) Que esta crise do clero não atinja todos os padres, com ou sem batina, me parecia uma coisa tão óbvia, que não achei necessário comentar. Mas prometo ser mais cauteloso no futuro. É evidente que eu não tinha pretensão de expor naquela breve palestra toda minha visão a repeito do atual estado do clero católico. Creio que os numerosos fiéis que me acompanharam nestes 20 anos de ministério viram em mim um padre que, reconhecendo os próprios pecados, procura amar a Igreja em geral e o sacerdócio em particular. Foi à formação de irmãos no sacerdócio que dediquei as melhores energias de minha vida;
6) É importante também ressaltar que de minha parte não pretendo divulgar os nomes dos 27 signatários da carta. Cumpre porém ressaltar o seguinte: não é verdade que o clero incardinado em Cuiabá se revoltou em massa contra minhas posições. Para uma mais exata avaliação da realidade divulgo apenas que são 5 padres diocesanos incardinados em Cuiabá, 5 em outras circunscrições e 17 religiosos;
7) Quanto à reconciliação e à restauração da justiça, serão dados passos pastorais e, se necessário, jurídicos. Mas não creio que a internet seja o lugar apropriado para este caminho de reparação. Sei que nos tempos do Big Brother, do Twitter e do Facebook minha visão pode parecer antiquada. Peço, no entanto, que compreendam minha opção de silêncio, ao menos até a solução final que, uma vez alcançada, comunicarei aos amigos;
8) Esta comunicação não seria completa sem que terminasse num agradecimento de coração pelos inúmeros e variados sinais de amizade, confiança e solidariedade que recebi. A todos um sincero e comovido “Deus lhes pague!”
Nestes dias, o nosso site recebeu um número imenso de mensagens oferecendo apoio de toda espécie: orações, jejuns, sacrifícios e provas sinceras de amor e estima. Meu celular não parava de tocar e de receber SMS. Foram literalmente milhares de fiéis, centenas de sacerdotes, alguns bispos e amigos de várias proveniências (um bispo anglicano, vários pastores evangélicos, cristãos em geral e até agnósticos!).
Uma palavra especial para os inúmeros blogs e páginas da internet que manifestaram o seu apoio. Com toda sinceridade não sei como expressar o peso da gratidão a não ser reconhecendo que lhes sou muito obrigado.
Agradeço ao meu Arcebispo pela paciência e o carinho paterno manifestado a ambas as partes envolvidas neste triste episódio.
Quanto a meus pais e minha família… não tenho palavras. No céu vocês verão o meu coração.
Espero poder corresponder, com a graça de Deus, a toda esta expectativa. Asseguro que todos estão muito presentes em minha Eucaristia diária. Continuemos unidos na gratidão a Deus, à Virgem Maria, aos anjos e aos santos de nossa devoção. Continuem a interceder por esta nossa luta e que Deus abençoe a todos.

Várzea Grande, 11 de março de 2012.

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior